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O número de execuções por pena de morte atingiu, em 2025, o valor mais elevado dos últimos 45 anos, segundo um relatório divulgado esta segunda-feira pela Amnistia Internacional. A organização contabilizou 2.707 execuções em todo o mundo, um aumento de 78% face ao ano anterior e o registo mais elevado desde 1981.
Os dados excluem, contudo, milhares de execuções que a ONG acredita terem ocorrido na China, país apontado como o que mais recorre à pena capital, embora os números oficiais permaneçam secretos.
A organização fala num crescimento “drástico e alarmante” da aplicação da pena de morte, num ano marcado por fortes críticas ao uso deste castigo como instrumento de repressão política e social.
Irão concentra 80% das execuções conhecidas
O principal responsável pela subida global foi o Irão, onde terão sido executadas pelo menos 2.159 pessoas, mais do dobro do registado no ano anterior.
Segundo a Amnistia Internacional, as autoridades iranianas continuam a utilizar a pena de morte para “instalar medo na população” e silenciar opositores do regime, recorrendo frequentemente a julgamentos considerados injustos.
Só o Irão representou cerca de 80% de todas as execuções confirmadas no mundo.
A ONG admite ainda não conseguir obter números fiáveis sobre países como a Coreia do Norte e o Vietname, embora considere que ambos continuam a aplicar a pena capital de forma generalizada.
EUA e Arábia Saudita também agravam números
A Arábia Saudita registou igualmente um aumento significativo, com 356 execuções num só ano, o número mais elevado de sempre no país. Entre estas, 240 pessoas foram condenadas por crimes relacionados com tráfico de droga sem recurso à violência.
Nos Estados Unidos, a Amnistia Internacional manifestou “forte preocupação” com o regresso de métodos de execução há muito abandonados, como o fuzilamento, além do uso continuado de asfixia por gás nitrogénio.
O estado da Flórida destacou-se ao executar 19 pessoas em apenas um ano, contribuindo para um total nacional de 47 execuções.
A organização considera que alguns destes métodos podem violar normas internacionais contra tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Guerra às drogas continua a justificar condenações
Quase metade das execuções registadas no mundo esteve relacionada com crimes de droga. Segundo o relatório, 1.257 pessoas foram executadas com base neste tipo de acusação.
A justificação ligada ao combate ao narcotráfico dominou particularmente em países como China, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Singapura.
Menos países continuam a aplicar pena de morte
Apesar do aumento do número de execuções, a Amnistia Internacional sublinha que o grupo de países que continua a aplicar a pena capital permanece reduzido.
No continente americano, os Estados Unidos foram, pelo 17.º ano consecutivo, o único país a executar pessoas. Já na África subsariana, apenas a Somália e o Sudão do Sul registaram execuções.
Na Europa, a Bielorrússia viveu o primeiro ano desde 1994 sem qualquer sentença de morte conhecida, período que coincide com a presidência de Alexander Lukashenko.
Embora países como Japão, Sudão do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos tenham retomado execuções em 2025, o número total de países executores manteve-se abaixo dos 20 pelo oitavo ano consecutivo.