terça-feira, 09 jun. 2026

Execuções por pena de morte atingem máximo em mais de quatro décadas. Irão lidera escalada alarmante

Irão, Arábia Saudita e Estados Unidos concentram subida mais acentuada e reacendem debate global sobre métodos considerados cruéis.
Execuções por pena de morte atingem máximo em mais de quatro décadas. Irão lidera escalada alarmante

O número de execuções por pena de morte atingiu, em 2025, o valor mais elevado dos últimos 45 anos, segundo um relatório divulgado esta segunda-feira pela Amnistia Internacional. A organização contabilizou 2.707 execuções em todo o mundo, um aumento de 78% face ao ano anterior e o registo mais elevado desde 1981.

Os dados excluem, contudo, milhares de execuções que a ONG acredita terem ocorrido na China, país apontado como o que mais recorre à pena capital, embora os números oficiais permaneçam secretos.

A organização fala num crescimento “drástico e alarmante” da aplicação da pena de morte, num ano marcado por fortes críticas ao uso deste castigo como instrumento de repressão política e social.

Irão concentra 80% das execuções conhecidas

O principal responsável pela subida global foi o Irão, onde terão sido executadas pelo menos 2.159 pessoas, mais do dobro do registado no ano anterior.

Segundo a Amnistia Internacional, as autoridades iranianas continuam a utilizar a pena de morte para “instalar medo na população” e silenciar opositores do regime, recorrendo frequentemente a julgamentos considerados injustos.

Só o Irão representou cerca de 80% de todas as execuções confirmadas no mundo.

A ONG admite ainda não conseguir obter números fiáveis sobre países como a Coreia do Norte e o Vietname, embora considere que ambos continuam a aplicar a pena capital de forma generalizada.

EUA e Arábia Saudita também agravam números

A Arábia Saudita registou igualmente um aumento significativo, com 356 execuções num só ano, o número mais elevado de sempre no país. Entre estas, 240 pessoas foram condenadas por crimes relacionados com tráfico de droga sem recurso à violência.

Nos Estados Unidos, a Amnistia Internacional manifestou “forte preocupação” com o regresso de métodos de execução há muito abandonados, como o fuzilamento, além do uso continuado de asfixia por gás nitrogénio.

O estado da Flórida destacou-se ao executar 19 pessoas em apenas um ano, contribuindo para um total nacional de 47 execuções.

A organização considera que alguns destes métodos podem violar normas internacionais contra tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Guerra às drogas continua a justificar condenações

Quase metade das execuções registadas no mundo esteve relacionada com crimes de droga. Segundo o relatório, 1.257 pessoas foram executadas com base neste tipo de acusação.

A justificação ligada ao combate ao narcotráfico dominou particularmente em países como China, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Singapura.

Menos países continuam a aplicar pena de morte

Apesar do aumento do número de execuções, a Amnistia Internacional sublinha que o grupo de países que continua a aplicar a pena capital permanece reduzido.

No continente americano, os Estados Unidos foram, pelo 17.º ano consecutivo, o único país a executar pessoas. Já na África subsariana, apenas a Somália e o Sudão do Sul registaram execuções.

Na Europa, a Bielorrússia viveu o primeiro ano desde 1994 sem qualquer sentença de morte conhecida, período que coincide com a presidência de Alexander Lukashenko.

Embora países como Japão, Sudão do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos tenham retomado execuções em 2025, o número total de países executores manteve-se abaixo dos 20 pelo oitavo ano consecutivo.