Alain Orsoni, antigo presidente do Ajaccio e figura histórica do nacionalismo corso, foi morto na segunda-feira com um tiro disparado à distância durante o funeral da mãe, num crime que voltou a expor a violência ligada a antigas rivalidades políticas e criminais na ilha francesa.
O ex-dirigente, de 71 anos, foi atingido por um único disparo efetuado à distância, descrito como um tiro de elevada precisão. Orsoni morreu no local, na aldeia de Vero. O autor do disparo continua em fuga e é procurado pelas autoridades francesas.
Com um percurso marcado pela militância política e pela polémica, Orsoni destacou-se nos anos 90 como um dos rostos do movimento independentista da Córsega. A sua vida ficou desde cedo ligada à violência política, depois de o irmão ter sido assassinado em 1983, num contexto relacionado com o conflito nacionalista.
Sob suspeitas de corrupção, viveu vários anos fora de França, passando pelos Estados Unidos, Nicarágua e Espanha, antes de regressar à Córsega em 2008. Por essa altura que entrou no futebol profissional, assumindo a presidência do Ajaccio, num percurso também ele marcado pela violência.
Pouco depois de regressar à ilha, Orsoni foi detido numa investigação relacionada com o crime organizado e escapou a uma primeira tentativa de homicídio, quando seguia ao volante do seu automóvel.
Entre afastamentos e regressos, liderou o Ajaccio durante mais de uma década. Saiu do cargo no verão passado, deixando o clube numa situação financeira crítica, com uma dívida superior a dez milhões de euros, que acabaria por resultar numa despromoção administrativa aos escalões distritais.