sexta-feira, 13 mar. 2026

EUA e Israel bombardeiam Irão em operação conjunta "Fúria Épica"

Trump e Netanyahu confirmam ataque "preventivo" contra Teerão para impedir arma nuclear iraniana. Líder supremo Ali Khamenei retirado para local seguro. Irão promete retaliação "devastadora"
EUA e Israel bombardeiam Irão em operação conjunta "Fúria Épica"

Os Estados Unidos e Israel lançaram esta madrugada um ataque militar em larga escala contra o Irão, numa operação conjunta baptizada pelo Pentágono como "Operação Fúria Épica". O presidente norte-americano Donald Trump confirmou o envolvimento dos EUA em "grandes operações de combate" para "garantir que Teerão não obtém uma arma nuclear".

Explosões foram ouvidas em várias cidades iranianas, incluindo a capital Teerão, onde pelo menos três detonações atingiram o centro e o norte da cidade, em zonas próximas dos escritórios do líder supremo, aiatola Ali Khamenei. O líder de 86 anos foi evacuado para um local seguro não revelado.

O ataque ocorre após o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano, que terminaram quinta-feira em Genebra sem acordo. Trump justificou a operação como necessária para "eliminar ameaças iminentes" e para "devastar o aparato militar do Irão".

"A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos"

Num vídeo de oito minutos publicado na rede Truth Social, Donald Trump dirigiu-se directamente ao povo iraniano: "A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos. Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será vosso".

O presidente norte-americano acusou o regime iraniano de desenvolver misséis de longo alcance que colocam em risco cidadãos americanos e de recusar um acordo que "teria evitado a guerra".

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, classificou a operação como necessária contra uma "ameaça existencial". "Não se deve, em caso algum, permitir que este regime terrorista assassino adquira armas nucleares, o que lhe daria os meios para ameaçar toda a humanidade", declarou Netanyahu em vídeo dirigido à população israelita.

O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, confirmou que o ataque foi efectuado "para eliminar ameaças" e declarou estado de emergência por 48 horas em Israel.

Pelo menos seis cidades bombardeadas

Além de Teerão, foram reportados ataques em Kermanshah, Lorestan, Tabriz, Isfahan, Karaj e Qom. A agência estatal iraniana ISNA confirmou que instalações na área governamental da capital foram atingidas.

Os ataques estão a ser realizados por aviões de combate a partir de bases no Médio Oriente e de pelo menos um porta-aviões norte-americano. Autoridades militares dos EUA indicam que a operação pode prolongar-se por vários dias e será "significativamente mais ampla" que a ofensiva de Junho de 2025, quando Israel atacou três instalações nucleares iranianas numa campanha que ficou conhecida como "guerra dos 12 dias".

O Irão fechou imediatamente o seu espaço aéreo e o ministério da Saúde iraniano colocou os hospitais em alerta máximo. Até ao momento, não há balanço oficial de vítimas, mas o governo prometeu divulgar números em breve.

Irão promete retaliação "devastadora"

O Irão prometeu uma retaliação "devastadora" ao ataque. As Forças de Defesa de Israel (IDF) enviaram alertas à população após detectarem misséis vindos do Irão, com um projéctil iraniano intercetado pelo Qatar.

"O inimigo criminoso, durante negociações, voltou a atacar a nossa querida pátria", reagiu o governo iraniano em comunicado.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, "encontra-se em perfeitas condições de saúde", informaram agências iranianas, desmentindo rumores de que teria sido alvo dos ataques.

Em Israel, sirenes de ataque aéreo soaram em várias regiões, incluindo Jerusalém, onde foram ouvidos sobrevoos de aviões. Todos os telemóveis no país emitiram um alerta de "emergência extrema", instruindo os cidadãos a procurarem abrigos e evitarem deslocações desnecessárias — o mesmo alerta emitido durante a guerra de Junho de 2025.

Portugal acompanha "ao minuto"

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse estar a acompanhar "ao minuto" os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel, em contacto permanente com a rede diplomática.

"O MNE acompanha ao minuto todos os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel, em contacto permanente com a nossa rede diplomática. A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses", indicou o ministério numa publicação na rede social X.

Na sexta-feira, os EUA autorizaram a saída de funcionários não essenciais e familiares da missão americana em Israel, citando "riscos crescentes de segurança". O Reino Unido fechou a embaixada em Teerão.

Contexto: Tensão nuclear e "guerra dos 12 dias"

O ataque surge após semanas de escalada de tensões entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano. Os EUA exigem o fim do enriquecimento de urânio, a limitação de mísseis balísticos e a interrupção do apoio iraniano a grupos armados no Médio Oriente.

O Irão, que insiste que o seu programa nuclear visa apenas geração de energia, sinalizou aceitar limites em troca do fim das sanções económicas. Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã anunciou que o Irão aceitou não armazenar urânio enriquecido, num acordo descrito como "avanço" nas negociações.

No entanto, Trump afirmou na sexta-feira estar "insatisfeito" com o progresso das conversações e que haveria "uma grande decisão a tomar". Menos de 24 horas depois, ordenou o ataque.

A actual ofensiva surge 8 meses após a "guerra dos 12 dias" de Junho de 2025, quando Israel bombardeou instalações nucleares iranianas, desencadeando um breve mas intenso conflito.