segunda-feira, 14 set. 2026

EUA asseguram acesso a 20% das reservas de petróleo da Venezuela em acordo a 100 anos

Os EUA asseguraram acesso a cerca de um quinto das reservas de petróleo da Venezuela num acordo válido por 100 anos. A North American Blue Energy Partners poderá explorar 17 campos com 65 mil milhões de barris, enquanto Washington reforça a sua influência no setor energético venezuelano
EUA asseguram acesso a 20% das reservas de petróleo da Venezuela em acordo a 100 anos

Os Estados Unidos confirmaram um acordo que garante o acesso a cerca de 20% das reservas de petróleo da Venezuela, através da empresa privada North American Blue Energy Partners (NABEP).

O entendimento permite a exploração, durante 100 anos, de 17 campos petrolíferos venezuelanos com cerca de 65 mil milhões de barris de crude, um volume equivalente a aproximadamente um quinto das reservas do país sul-americano.

Segundo a informação divulgada pela administração norte-americana, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ficará com uma participação de 35% na empresa-mãe da NABEP, enquanto Washington assegura também acesso preferencial a parte da produção petrolífera.

O acordo estabelece que os EUA poderão adquirir 20% do petróleo extraído ao preço de produção, destinado ao abastecimento das reservas estratégicas norte-americanas, mantendo ainda um direito de preferência sobre a compra da restante produção.

Empresa quer ultrapassar um milhão de barris por dia

A NABEP, liderada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt, apresenta-se como uma das principais produtoras de crude da Venezuela, com uma produção atual superior a 200 mil barris por dia.

Com o novo acordo, a empresa pretende aumentar significativamente a produção, ultrapassando um milhão de barris diários.

O entendimento prevê ainda um investimento próximo dos 100 mil milhões de dólares, cerca de 86 mil milhões de euros, na recuperação e modernização da infraestrutura petrolífera venezuelana.

Segundo os dados avançados, a operação poderá gerar aproximadamente 200 mil milhões de dólares em impostos para as autoridades venezuelanas ao longo dos próximos 25 anos.

A administração norte-americana terá igualmente poder de veto sobre determinadas nomeações para o conselho de administração da empresa.

Campos eram explorados por empresas chinesas e russas

Os campos abrangidos pelo acordo estavam anteriormente associados a várias empresas chinesas e a uma empresa russa.

A operação surge num contexto de crescente influência dos Estados Unidos sobre o setor petrolífero venezuelano e de redução da presença chinesa no mercado energético do país.

A China, que durante anos foi um dos principais destinos do petróleo venezuelano, deixou de receber carregamentos diretos desde dezembro de 2025.

Em agosto, cerca de 520 mil barris de petróleo venezuelano por dia foram enviados para os Estados Unidos, representando quase metade dos cerca de 1,1 milhões de barris diários exportados pelo país.

Analistas citados no contexto do acordo consideram que o entendimento ultrapassa a dimensão exclusivamente energética e insere-se na competição estratégica entre Washington e Pequim, contribuindo para limitar a presença chinesa, russa e iraniana no setor petrolífero venezuelano.

Trump aponta para redução dos preços da gasolina

A administração liderada por Donald Trump classificou o entendimento como histórico e defendeu que o aumento da produção poderá contribuir para reforçar o abastecimento energético dos EUA e reduzir os preços da gasolina.

A subida dos preços dos combustíveis, agravada no contexto da guerra com o Irão, tornou-se um dos fatores de pressão sobre a administração republicana, a poucos meses das eleições intercalares norte-americanas.

O acordo consolida, assim, a presença norte-americana num dos maiores produtores mundiais de petróleo e representa uma profunda alteração na estrutura do setor energético venezuelano, tradicionalmente marcado pela presença de empresas e financiamento provenientes da China e da Rússia.