As autoridades norte-americanas anunciaram a apreensão de vários endereços de Internet alegadamente utilizados por agentes chineses para ocultar a origem de ciberataques contra infraestruturas críticas e redes sensíveis dos Estados Unidos.
A operação, conduzida pelo Departamento de Justiça e pelo FBI, visou duas plataformas de ‘hacking’ identificadas como QScan e QTRouter, que, segundo as autoridades norte-americanas, eram utilizadas para facilitar intrusões informáticas e dissimular a origem dos ataques.
De acordo com o comunicado do Departamento de Justiça, a apreensão dos nomes de domínio pretende impedir que agentes maliciosos continuem a aceder às plataformas.
As ferramentas terão sido criadas por um grupo denominado QTFY, cujas atividades visaram entidades norte-americanas como a NASA e os Departamentos da Energia, da Justiça e da Saúde, além do Senado.
O procurador-geral norte-americano, Todd Blanche, classificou a operação como mais um passo na estratégia de Washington para desmantelar alegadas atividades de ciberataques patrocinadas pela República Popular da China.
Já o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que as plataformas permitiam aos seus utilizadores mascarar a origem chinesa das intrusões informáticas.
Segundo o Departamento de Justiça, entre os clientes associados ao grupo QTFY estarão entidades ligadas ao Ministério da Segurança do Estado da China e ao Exército de Libertação Popular.
A operação surge depois de, em junho, as autoridades norte-americanas terem anunciado a apreensão de 13 nomes de domínio alegadamente utilizados em operações destinadas à extração de informação confidencial.
Trump declara emergência nacional para proteger rede elétrica
No mesmo dia, o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou uma emergência nacional relacionada com a segurança da rede elétrica dos Estados Unidos, através de uma ordem executiva que proíbe a aquisição e instalação de determinados equipamentos provenientes de países sujeitos a embargo de armas ou a sanções norte-americanas.
Embora a ordem não identifique diretamente qualquer país, a medida é interpretada como visando sobretudo a China, apontada como o único país abrangido pelas restrições com presença relevante no fornecimento de equipamentos para a rede elétrica norte-americana.
Segundo uma fonte da Casa Branca citada pela agência France-Presse, o objetivo é reforçar a proteção da infraestrutura e dos sistemas elétricos dos Estados Unidos.
Os regulamentos para aplicar a nova ordem deverão ser apresentados no prazo de 120 dias.
A medida poderá abranger equipamentos como transformadores, inversores, sistemas de armazenamento de baterias, sistemas de automação industrial, software e mecanismos de acesso remoto.
O secretário da Energia poderá também impor condições à utilização de equipamentos já instalados, podendo essas exigências, em determinadas circunstâncias, levar à sua substituição ou remoção.
Crescimento da IA aumenta pressão sobre consumo de eletricidade
A ordem executiva justifica a decisão com o aumento das necessidades energéticas dos Estados Unidos, impulsionado pela expansão dos centros de dados, da inteligência artificial e da produção associada à defesa.
A preocupação com a dependência de equipamentos estrangeiros para infraestruturas críticas tem vindo a crescer em Washington.
No final de julho, a FCC já tinha restringido a importação de determinados inversores estrangeiros, numa decisão que se seguiu a medidas semelhantes adotadas anteriormente na Europa.
Ainda assim, uma análise do Departamento de Energia norte-americano, realizada após a inspeção de 30 inversores chineses e divulgada em janeiro, concluiu que não existiam provas definitivas de código ou material malicioso oculto nos equipamentos analisados.
As duas iniciativas reforçam, assim, a crescente preocupação dos Estados Unidos com a segurança das suas infraestruturas críticas e com o alegado envolvimento de entidades chinesas em operações de espionagem e ciberataques.