quinta-feira, 10 set. 2026

EUA ameaçam aliados que não apoiem ofensiva económica contra o Irão

Os EUA ameaçam aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão. Scott Bessent quer derrubar o regime de Teerão, enquanto a Guarda Revolucionária ameaça usar mísseis mais destrutivos. O estreito de Ormuz continua no centro da tensão
EUA ameaçam aliados que não apoiem ofensiva económica contra o Irão

Os Estados Unidos aumentaram a pressão económica sobre o Irão e avisaram os países aliados de Washington de que quem não apoiar a ofensiva contra Teerão estará, na prática, contra os EUA.

O aviso foi deixado esta quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que afirmou que o objetivo da campanha é provocar a queda do atual regime iraniano.

“Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime”, afirmou Bessent numa entrevista à CNBC, descrevendo a ofensiva como a “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo”.

As declarações surgem um dia depois de Donald Trump ter anunciado uma nova campanha de pressão económica contra o Irão, que classificou como um “dia D económico”.

Trump ameaça países que ajudem o Irão

O Presidente norte-americano avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais fornecer algum tipo de apoio económico ao Irão poderá enfrentar consequências.

Trump apelou aos aliados dos Estados Unidos para que se associem ao isolamento económico de Teerão, numa estratégia que pretende também limitar as capacidades militares iranianas.

Bessent dirigiu ainda um apelo à China, defendendo que Pequim deverá tomar medidas se quiser que o estreito de Ormuz seja reaberto e que os preços da energia voltem a baixar.

Segundo o secretário do Tesouro, cerca de 50% da energia consumida pela China tem origem no Médio Oriente.

Sanções podem evitar nova escalada militar

Bessent defendeu também que a aplicação de uma pressão económica máxima poderá reduzir a probabilidade de uma nova ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

“Se aplicarmos a máxima pressão económica, isso significa que provavelmente não haverá uma retoma das operações militares em grande escala”, afirmou, ressalvando, contudo, que esta avaliação é válida apenas “por enquanto”.

A declaração surge num contexto de impasse nas negociações entre Washington e Teerão e de persistência das tensões no Golfo Pérsico.

Irão ameaça usar mísseis mais destrutivos

Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária elevou o tom das ameaças militares.

Hossein Mohabi, porta-voz da força ideológica iraniana, afirmou que, caso o conflito se intensifique, o Irão poderá utilizar mísseis com maior capacidade destrutiva do que os empregues em confrontos anteriores.

“O poder destrutivo das ogivas utilizadas nos mísseis da Guarda Revolucionária supera em muito o das ogivas utilizadas em guerras anteriores”, afirmou, segundo a agência Tasnim.

Mohabi garantiu ainda que o Irão continua a desenvolver armamento com maior precisão, poder destrutivo e sofisticação tecnológica.

As declarações surgem depois de Trump ter voltado a ameaçar Teerão e classificado a nova ofensiva económica como a mais devastadora alguma vez aplicada contra um país.

Estreito de Ormuz continua no centro da crise

O estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, permanece no centro da tensão.

Segundo dados da plataforma MarineTraffic citados pela Lusa, apenas dez travessias foram registadas na terça-feira, um número muito inferior às mais de 100 travessias diárias anteriores ao início do conflito.

A situação está a obrigar os países produtores de petróleo da região a procurar rotas alternativas.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou esta quinta-feira que o estreito não será reaberto enquanto os Estados Unidos não cumprirem os compromissos previstos no protocolo assinado em junho.

Irão e Omã, que controlam as duas margens do estreito, têm também discutido a futura gestão desta passagem estratégica, num processo separado das negociações entre Washington e Teerão.

Negociações entre EUA e Irão continuam paradas

Apesar da redução recente das hostilidades, a tensão permanece elevada e o processo diplomático encontra-se num impasse.

Donald Trump admitiu anteriormente que Washington e Teerão poderiam retomar as negociações “a qualquer altura”, mas afirmou entretanto que não existe atualmente qualquer conversa ou reunião agendada com a República Islâmica do Irão.

O memorando de entendimento assinado em 17 de junho previa um cessar-fogo imediato e negociações durante 60 dias para alcançar um acordo definitivo de paz. Esse prazo terminou na segunda-feira sem que fosse alcançado um entendimento final.

Desde então, a situação no terreno e em torno do estreito de Ormuz continua a alimentar a tensão entre os dois países e a aumentar a preocupação internacional com os possíveis efeitos sobre os mercados energéticos.