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O número de navios a atravessar diariamente o estreito de Ormuz aumentou para cerca de 31 embarcações desde a assinatura do acordo de paz entre os EUA e o Irão, revelou esta quarta-feira a plataforma de monitorização marítima Kpler.
Apesar da recuperação da atividade, o valor continua muito abaixo dos níveis registados antes do conflito, quando entre 100 e 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica que liga o golfo Pérsico ao mar Arábico.
Segundo a análise da Kpler, as 31 travessias registadas incluem petroleiros, navios de produtos químicos, porta-contentores, graneleiros e cargueiros. Destas deslocações, 20 ocorreram no sentido oeste-leste, ou seja, do golfo Pérsico para o golfo de Omã, enquanto três navios sujeitos a sanções navegaram na direção contrária.
A plataforma destaca que este aumento da atividade surge após a assinatura, na semana passada, de um memorando de entendimento marítimo entre Washington e Teerão destinado a encerrar o conflito e a criar corredores seguros para a navegação comercial.
Embora não tenham sido registados novos ataques desde maio, a Kpler considera que a situação permanece longe da normalidade, apesar dos sinais de estabilização.
Uma rota vital para o petróleo mundial
O estreito de Ormuz é uma das mais importantes vias marítimas do planeta, sendo responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo bruto consumido globalmente. Os países asiáticos são particularmente dependentes desta rota para o abastecimento energético.
O bloqueio imposto pelo Irão há quase quatro meses, em resposta aos ataques norte-americanos e israelitas, provocou fortes perturbações no comércio internacional. De acordo com a Organização Marítima Internacional (OMI), cerca de 1.600 navios e 20 mil tripulantes ficaram retidos na região.
Na terça-feira, a OMI anunciou um plano para retirar mais de 11 mil marinheiros que permanecem bloqueados na zona. Já esta quarta-feira, a agência das Nações Unidas divulgou novas orientações operacionais, recomendando aos navios que aguardem instruções antes de retomarem a navegação.
O objetivo passa por evitar congestionamentos e reduzir os riscos associados à eventual presença de minas marítimas e à degradação das condições de navegação registadas durante os meses de conflito.
A movimentação das embarcações será coordenada através de um mecanismo conjunto que envolve a OMI, o Centro de Operações Marítimas do Reino Unido (UKMTO) e o Centro de Excelência da Marinha Nacional Francesa (MICA), em articulação com as autoridades costeiras do Irão e de Omã.
Os navios serão contactados individualmente e encaminhados para zonas de espera designadas, podendo depois definir as suas rotas de navegação, quer junto à costa iraniana, quer ao largo de Omã.
Comércio global enfrenta custos mais elevados
A crise no estreito de Ormuz continua a gerar preocupações no setor marítimo internacional. A seguradora alemã Allianz estima que cerca de 110 mil milhões de euros em mercadorias aguardam autorização para transitar por esta rota.
A empresa alertou ainda que a instabilidade geopolítica no Médio Oriente poderá traduzir-se em prémios de seguro mais elevados para os armadores, aumentando os custos do transporte marítimo e, em última análise, do comércio global.
"O conflito no Médio Oriente e o encerramento do estreito de Ormuz são apenas os exemplos mais recentes de uma série de incidentes graves que afetaram armadores e operadores de carga", afirmou Thomas Lillelund, presidente do Conselho de Administração da Allianz Commercial.
O responsável defendeu que o setor marítimo enfrenta atualmente um equilíbrio cada vez mais difícil entre resiliência, eficiência operacional e riscos geopolíticos.
"A resiliência, a geopolítica e a eficiência devem ser equilibradas num mundo cada vez mais imprevisível, onde o custo da incerteza está a redefinir o setor marítimo", concluiu.