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O maquinista do comboio de alta velocidade da operadora Iryo, que descarrilou em Córdova no passado domingo, alertou o centro de controlo ferroviário para a gravidade da situação instantes antes de ocorrer a colisão com outro comboio, segundo a transcrição das chamadas revelada pelo jornal espanhol El Diario.
De acordo com os registos divulgados, o condutor ligou duas vezes para o centro de controlo da Administração de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), ambos por volta das 19h45, com segundos de diferença. Na primeira comunicação, referiu a existência de um “pequeno problema” na zona de Adamuz, que tinha feito o comboio parar, e solicitou autorização para sair da cabina e avaliar a situação.
Poucos segundos depois, numa segunda chamada, o tom muda drasticamente. O maquinista alertou que o comboio já tinha descarrilado e invadido a via adjacente, pedindo de forma insistente a interrupção imediata da circulação ferroviária naquela linha. “Estou a avisar que houve um descarrilamento e que estou a invadir a via adjacente”, afirmou.
O funcionário do centro de controlo respondeu que, naquele momento, não havia comboios a circular na zona, tentando tranquilizar o condutor.
Durante esta segunda comunicação, o maquinista deu ainda conta da existência de um incêndio numa das carruagens e da presença de passageiros feridos, solicitando o envio imediato de meios de socorro.
Apesar do alerta, pouco depois destas chamadas, o comboio da Iryo — que circulava a cerca de 200 quilómetros por hora — foi atingido pelo Alvia da Renfe, que seguia no sentido oposto, a uma velocidade semelhante.
As circunstâncias do descarrilamento estão ainda a ser investigadas pelas autoridades espanholas.
Do acidente, resultaram pelo menos 42 mortos e mais de uma centena de feridos, incluindo dois portugueses.