quinta-feira, 14 mai. 2026

"Estamos com medo". Capitão relata 54 dias de tensão e escassez com navio encurralado no Estreito de Ormuz

Enquanto o Estreito de Ormuz continua a ser usado como peça estratégica no conflito, há vidas suspensas, à espera de um regresso a casa que permanece incerto.
"Estamos com medo". Capitão relata 54 dias de tensão e escassez com navio encurralado no Estreito de Ormuz

Todos os dias tem sido noticiados os navios que estão presos no Estreito de Ormuz, impedidos de navegar por uma das maiores rotas marítimas do mundo. Este estreito tem sido utilizado como uma poderosa arma no meio do conflito no Médio Oriente: mas isso tem prejudicado vários inocentes.

É o caso do Capitão Raman Kapoor, que está há 54 dias a bordo de um petroleiro naquele estreito. "O meu navio está ancorado na parte norte do Golfo Pérsico e o meu navio é um petroleiro de petróleo bruto", começou por explicar por videochamada à Sky News. Ele e os seus companheiros estão no mesmo sítio desde que começaram os ataques dos EUA ao Irão, a 28 de fevereiro.

Embora não tenha revelado o local exato onde se encontra, por questões de segurança, Raman confessou estar "perto dos ataques". "Já notámos vários mísseis antes e vários sons de explosões e ataques. Muitos ataques a navios comerciais", revelou, acrescentando que "um deles estava muito perto do nosso navio, por isso claro que estamos com medo".

Dentro daquele navio está Kapoor e mais 24 pessoas que aguardam por boas notícias como a que chegou no fim de semana, apesar de temporária. "Há alguns dias atrás, o Irão abriu o Estreito de Ormuz e então a situação ficou boa, e as notícias trouxeram grande alívio para toda a tripulação, além de haver menos tensão e mais esperança", afirmou, antes de acrescentar: "Mas em menos de 24 horas, soubemos que novamente o Estreito de Ormuz foi fechado pelo Irão e, de fato, eles também atacaram dois navios".

A situação no Estreito de Ormuz permanece tensa e incerta, com os EUA a manterem um bloqueio marítimo ao Irão, que o regime já descreveu como "pirataria". "O alívio que tivemos após a reabertura do estreito transformou-se novamente em incerteza e, sim, a minha tripulação está novamente preocupada", disse o Capitão Kapoor, que revelou ainda que as preocupações vão além do conflito armado: os dias continuam a passar com a tripulação, maioritariamente indiana, presa naquele navio, com a escassez de comida a chegar.

Enquanto o Estreito de Ormuz continua a ser usado como peça estratégica no conflito que começou com a operação "Fúria Épica", histórias como a do capitão Raman Kapoor relembram que há vidas suspensas, à espera de segurança, de respostas e de um regresso a casa que permanece incerto.