terça-feira, 21 jul. 2026

Espriella vence primeira volta na Colômbia

O candidato da direita radical venceu por menos de 3 pontos percentuais. Petro não reconheceu os resultados e acusa os EUA de ingerência.
Espriella vence primeira volta na Colômbia

Os colombianos foram chamados às urnas no passado dia 31 de maio. Com Gustavo Petro, eleito pela última vez em 2022, a cumprir o seu último mandato à frente dos destinos do país, a escolha foi maioritariamente entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda. O primeiro, do partido de direita radical Defensores de la Patria, impôs-se ao segundo, representante da frente de esquerda radical Alianza por la Vida apoiada por Petro.

A diferença foi de menos de 3 pontos percentuais (43,74% contra 40,90%), o que levará os colombianos a votar de novo numa segunda volta. Os cerca de 15% de colombianos que não votaram em nenhum dos dois candidatos mais votados serão os votos decisivos para determinar se as presidenciais de 2026 representam uma continuidade ou uma rutura com as anteriores presidências.

Foi a bordo de um barco que atracou no passeio marítimo de Barranquilha que Espriella proferiu o seu primeiro discurso após terem sido conhecidos os resultados: «Vamos castigar os inimigos da Colômbia. Hoje, o povo pronunciou-se. Pela primeira vez na história política, um homem independente, sem restrições e com a determinação necessária, venceu a primeira volta e está prestes a ser coroado». Espriella é um advogado que detém também a cidadania americana e italiana, e que trouxe uma nova forma à política colombiana.

Como escreveu o jornal La Silla Vacía, trata-se de «um advogado que transformou a defesa judicial e mediática de figuras controversas, a estética do luxo e a proximidade com poderes incómodos numa marca pessoal. Agora, levou essa marca para a política». Mas, continuam os jornalistas Juanita León, Jerson Ortiz e Ever Mejía na mesma peça, «a sua candidatura não surgiu do nada»; é, isso sim, «o resultado de uma vida construída em torno da sua própria imagem: uma vida no fio da navalha, desafiadora das regras convencionais, rodeada de imunidade, espetáculo e poder». As suas linhas programáticas são semelhantes às de outros líderes e movimentos da direita: redução de impostos, família como núcleo da sociedade, redução do Estado, defesa de Deus e pressão aos bancos para que as taxas de juro se mantenham baixas. Os colombianos, pelo menos os que estão descontentes com o petrismo, aprovaram, para já, o programa.

Mas Petro não ficou contente, como é natural, e socorreu-se de algumas armas que são um clássico do arsenal populista hispano-americano: contestou os resultados e acusou os Estados Unidos de ingerência.

«Como presidente», escreveu na sua conta oficial do X, «não aceito os resultados da pré-contagem da empresa privada dos irmãos Bautista, porque, devendo estar parados os algoritmos do software de contagem e apuração, na última semana foram adicionadas 800 mil cédulas de pessoas que não estão no censo oficial apresentado».

O apoio do presidente norte-americano, Donald Trump, ao candidato da direita foi visto como ingerência por Petro, que mais uma vez recorreu ao X para a denunciar: «Quando um país interfere nas decisões de outro, a liberdade morre. Exorto toda a Colômbia a votar com plena liberdade e a não se tornar escrava ou colônia de ninguém».

Após a vitória ter sido confirmada, Trump, na sua conta oficial da rede social Truth, não se inibiu de dar o seu «apoio total e incondicional» a Espriella, que, uma vez chegando à presidência, terá «um enorme sucesso ao liderar a Colômbia no crescimento da economia, na criação de empregos, na promoção do comércio, no combate à imigração ilegal, na repressão ao crime e às drogas e na restauração da lei e da ordem».

Espera-se uma luta intensa para uma segunda volta para a qual a única certeza é a de que será polarizadora.

goncalo.nabeiro@nascerdosol.pt