A polícia britânica deteve esta sexta-feira quatro homens suspeitos de espionagem para o Irão, de acordo com informação avançada pela agência Reuters.
Foram detidos três homens com dupla nacionalidade britânica e iraniana e um outro iraniano, com idades compreendidas entre os 22 e os 55 anos. As detenções ocorreram em Barnet, no norte de Londres, e em Watford, a 24 km de Londres.
A investigação, que se centrava numa alegada vigilância à comunidade judaica londrina, já se estende desde antes dos bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel sobre o Irão. De acordo com as autoridades, os homens vigiavam ativamente locais e indivíduos judaicos.
Parlamentares britânicos e a agência de espionagem interna alertam para as ameaças que o Irão pode representar para o país. Também a Austrália já associou ataques antissemíticos ao Teerão, segundo a mesma agência.
"O Irão é o maior patrocinador estatal do terrorismo a nível global e, infelizmente, isso também se faz sentir na nossa própria sociedade", afirmou o vice-primeiro-ministro David Lammy, no programa matinal Good Morning Britain.
Investigações não ficam por aqui
As autoridades britânicas informaram que foram ainda detidas outras seis pessoas por suspeitas de auxílio a um infrator. Alertam ainda que a investigação irá continuar naquele país.
O primeiro-ministro Keir Starmer já veio também alertar de que o conflito iraniano, iniciado no passado sábado, pode "dividir o país". "O governo está em contacto com comunidades por todo o Reino Unido – judaicas e muçulmanas – para garantir que as comunidades e os locais de culto tenham a segurança adequada e necessária", garantiu numa conferência de imprensa.
Entre 2022 e 2024, os serviços secretos e a polícia britânica responderam a mais de 20 planos apoiados pelo Irão para raptar ou matar cidadãos britânicos ou indíviduos no Reino Unido considerados "uma ameaça" pelo Teerão, informou o chefe dos serviços secretos britânicos.
Além disso, em 2025 o Reino Unido registou um aumento de 4% de "incidentes antissemíticos", tornando-se o segundo pior ano de sempre. Recorde-se que um ataque a uma sinagoga na cidade de Manchester causou dois mortos em outubro do ano passado. Ainda no ano passado, cinco homens foram detidos, quatro deles iranianos, devido a um alegado plano de ataque a locais específicos, sendo a embaixada de Israel um dos possíveis alvos.