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Tinham passado apenas 21 horas e 57 minutos entre a deteção de uma rutura da via pelos sistemas de segurança e manutenção da linha de alta velocidade e o acidente que matou 46 pessoas. Esta é uma conclusão da investigação às circunstâncias do estado da via, conduzida pela Unidade Orgânica da Polícia Judiciária da Guarda Civil de Córdoba, revelada pelo jornal espanhol El Mundo.
Às 21h46 do dia 17 de janeiro foi registada uma "alteração elétrica compatível com uma rutura". No entanto, não foram acionados os alertas que, de acordo com o mesmo jornal, poderiam ter evitado que o Iryo de Málaga descarrilasse e fosse abalroado pelo Alvia no dia seguinte. De acordo com o relatório da Guarda Civil, "o sistema não estava configurado para alertar automaticamente devido à falta de fiabilidade".
No mesmo relatório, os investigadores detalham que a tensão na via se manteve em dois volts, mas que a partir das 21h46 do dia 17 de janeiro desceu para 1,5 volts. Às 19h43 do dia 18 de janeiro, depois do trágico acidente, desceu para zero: variação que consideram pouco habitual na série analisada desde o dia 12 de janeiro. Estes dados são possíveis de analisar no Sistema de Apoio à Manutenção (SAM), mas apenas são consultados em caso de avaria ou durante a manutenção da infraestrutura.
Posto isto, a dúvida permanece: seria possível emitir algum alerta nestes casos que evitassem acidentes como o de janeiro? A resposta é sim, mas com algumas questões.
A empresa responsável pelo sistema, a Hitachi Rail GTS Spain, afirmou ser possível detetar a rutura do carril, mas que a fiabilidade seria muito baixa "devido à configuração do sistema que só emite alerta se a tensão cair abaixo dos 0,780 volts". Tendo em conta que os dados mostram que a descida de tensão foi apenas até aos 1,5 volts, não seria emitido qualquer alerta.
Este é mais um documento que complementa relatórios anteriores que permitem aos especialistas "afinar" conclusões e descartar hipóteses, como por exemplo, sabotagem, terrorismo, negligência dos maquinistas ou excesso de velocidade.