A polícia espanhola deteve 105 pessoas ligadas a uma organização responsável por introduzir na Europa, ao longo do último ano, 57 toneladas de cocaína provenientes do Brasil e da Colômbia, anunciou esta segunda-feira o Governo de Espanha. A rede operava com estruturas que incluíam Portugal e várias regiões de Espanha.
O Ministério da Administração Interna espanhol descreveu a operação como a "maior rede de tráfico de cocaína" que atuava no Atlântico e nos rios do país utilizando “narcolanchas”, ou seja, embarcações de alta velocidade, muitas vezes usadas para estes fins. A organização tinha presença em Galiza, Huelva, Cádiz, Málaga, Almería, Girona, Ceuta, várias ilhas das Canárias e Marrocos.
A “Operação Sombra Negra” durou mais de um ano e foi coordenada pela Polícia Nacional de Espanha, em cooperação com organismos internacionais como Europol, MAOC-N, DEA, NCA, DGSN e autoridades de Portugal, França, Colômbia e Cabo Verde.
Durante a operação foram realizadas 49 buscas em duas fases, nas Canárias e na Andaluzia, resultando na apreensão de 10,4 toneladas de cocaína, 70 veículos, 30 embarcações, seis imóveis, três armas de fogo, mais de 800 mil euros, mais de 150 telemóveis e equipamento tecnológico avaliado em cerca de 2,5 milhões de euros. As contas bancárias da rede também foram bloqueadas.
O delegado do Governo espanhol na Andaluzia, Pedro Fernández, destacou a sofisticação logística e tecnológica da organização, incluindo comunicações encriptadas, terminais via satélite, telemóveis de difícil rastreio e linguagem codificada. As narcolanchas eram utilizadas principalmente para introduzir a droga pelas costas de Portugal e Espanha, "muitas vezes durante a noite", dificultando a ação policial, segundo o comunicado divulgado pelas autoridades.
A operação integrou-se no Plano de Segurança do Campo de Gibraltar, um dispositivo especial criado pelo Governo espanhol em 2018 para combater o tráfico de drogas e o crime organizado nas províncias de Huelva, Cádiz, Málaga, Sevilha, Granada e Almeria.