sexta-feira, 13 mar. 2026

Espanha. Chefe da Polícia Nacional demitido após acusação de violação

A mulher acusa-o de não só a ter pressionado a deslocar-se ao local de agressão, usando o poder hierárquico, como também a pressionou nos meses seguintes a não denunciar o caso.
Espanha. Chefe da Polícia Nacional demitido após acusação de violação

O chefe da Polícia Nacional de Espanha, José Ángel González, demitiu-se esta terça-feira após ter sido acusado de violação por uma polícia hierarquicamente abaixo de si.

“Li muitas queixas na minha vida. Depois de ler esta não havia evidentemente outra decisão, pela gravidade dos factos e para salvaguardar o prestígio da Polícia”, disse o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, acrescentando que “agora é o momento da justiça e também de todo o apoio, evidentemente, à vítima”.

A acusação foi enviada para o agora ex-chefe da Polícia espanhola na passada terça-feira, onde era determinado que prestasse declarações no próximo dia 17 de março na sequência da queixa a que o tribunal decidiu dar seguimento.

O advogado da vítima terá explicado à imprensa espanhola que a denúncia inclui violação, coação, lesões psíquicas e peculato, de acordo com o jornal El País. O advogado explicou ainda que a agressão aconteceu em abril de 2025, numa residência oficial do diretor-adjunto da polícia, e que uma das provas é uma gravação de áudio do momento. "A gravação prova as recusas inequívocas, claras e persistentes", da mulher, de acordo com o advogado.

Ao que tudo indica, a vítima e José Ángel González tinham tido uma "relação de afetividade" anteriormente, mas que tinha já terminado. No entanto, o ex-chefe da polícia parecia não aceitar esse fim.

A mulher acusa-o de não só a ter pressionado a deslocar-se ao local de agressão, usando o poder hierárquico, como também a pressionou nos meses seguintes a não denunciar o caso. No entanto, esta pressão veio não só de José Ángel González, mas também do seu assessor, Óscar San Juan González, que foi também detido do cargo, apontado como cúmplice do agressor.