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Ex-agente de modelos, Paolo Zampolli é o homem creditado por apresentar Donald Trump à sua esposa, tornando-se num enviado presidencial especial: e á também a personagem principal da história contada pelo New York Times.
O ano passado esteve envolvido numa disputa pela custódia do filho adolescente com a sua ex-namorada brasileira. Para facilitar o processo para o seu lado, decidiu pedir um favor à administração: deter a mãe do filho, que estaria ilegal no país, e, assim, recuperar a custódia do filho. A mulher já estaria detida por alegadas fraudes no trabalho.
Assim, o homem contactou o alto funcionário do ICE (Serviços de imigração e Alfândega), David Venturella, que garantiu que os agentes fossem buscar a mulher à prisão onde estava detida antes que esta fosse libertada sob fiança. De acordo com a informação avançada pelo The New York Times, Venturella afirmou que este seria um "caso importante para alguém próximo da Casa Branca".
O pedido foi acedido e a mulher, Amanda Ungaro, foi colocada sob custódia do ICE, acabando mesmo deportada.
A história contada pelo jornal norte-americano vem reforçar a forma como as "alavancas do governo federal podem ser usadas para resolver assuntos pessoais", mesmo que sejam pessoas anónimas e com pouco poder, que é o caso de Zampolli: representante especial do presidente para parcerias globais, figura menor em Washington, mas próximo da família.
A versão de Zampolli
Zampolli, de 56 anos, negou ter pedido ao ICE para deter a mulher (que provavelmente iria acabar detida mesmo sem o pedido, por estar ilegal). Segundo ele, apenas pediu a Venturella que lhe explicasse qual o caso da mãe do filho, sobre o qual ainda não tinha conhecimento.
Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna responsável pelo ICE garantiu que Ungaro foi detida e deportada porque estava numa situação ilegal, com um visto expirado há demasiado tempo. "Qualquer sugestão de que ela foi presa e deportada por razões políticas ou favores é FALSA”, escrevem no comunicado.
Após a detenção, Ungaro estaria convencida de que, se permanecesse no centro de detenção, era certo que perderia a custódia do filho, tendo pedido ao juíz de imigração para regressar ao Brasil. Dois meses depois, o filho dos dois pediu para ir viver com a mãe para o Brasil, mas acabou por voltar para os EUA no final do ano passado, enquanto os pais continuam a lutar pela custódia do adolescente.