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Guillermo Arana Leyton, membro da equipa de resgate do grupo Fenix Unit, revelou que manteve, até ao último momento, a esperança de encontrar com vida Lucas Gámez, o menino argentino que ficou soterrado sob os escombros após os terramotos que atingiram a Venezuela. O socorrista revelou que, quando o corpo da criança foi finalmente encontrado, estava "abraçado aos avós".
"Conseguimos concluir o objetivo que tínhamos, mas não da forma que esperávamos, porque tínhamos esperança de encontrar mais pessoas com vida. Foi algo nefasto pela quantidade de pessoas falecidas", declarou aos jornalistas à chegada ao aeroporto.
O socorrista alertou ainda que este desastre natural "ultrapassou todos os números que eu conseguia imaginar" e afirmou: "Vão chegar aos 20 mil mortos". Segundo os registos oficiais até ao momento, contabilizam-se 4.561 vítimas mortais.
Como foi encontrado o corpo de Lucas Gámez?
A missão principal de Arana Leyton decorreu no edifício Miramar, onde coordenou operações de resgate junto de equipas de outros países para retirar dos escombros Lucas Gámez, a sua família e vizinhos.
"Pensávamos que o Lucas estaria vivo, mas encontrámo-lo já sem vida, abraçado aos avós. Tivemos de desmontar um edifício de nove andares, com maquinaria pesada, e algumas pessoas tinham estado com vida dez dias depois do terramoto", lamentou.
Lucas encontrava-se no segundo andar, junto aos avós com quem tinha ido passar o dia à praia de La Guaira. Tinham acabado de entrar no edifício quando o terramoto abalou a estrutura.
Que apoio teve a missão de resgate?
O membro da equipa de resgate explicou que a missão contou com o apoio de 15 médicos venezuelanos radicados na Argentina, integrantes da Associação de Médicos Venezuelanos na Argentina. Destacou ainda a colaboração da presidente da entidade, Indira Acosta, e da comunidade venezuelana em Mendoza, que assistiu a equipa com alimentos durante toda a missão.
Arana Leyton reconheceu que lhe custava comer perante as circunstâncias no terreno: "como é que se pode comer quando se está perante esta situação? Eu era um pouco relutante a comer. Tanto que trabalhávamos 24 horas, descansávamos duas horas e voltávamos a trabalhar mais 24 horas".
Ausência de água potável e de saneamento básico na zona afetada
Início de casos de sarna, incluindo entre os próprios membros das equipas de resgate
Maquinaria insuficiente para remover todos os escombros
"Estávamos ultrapassados em tudo. Acho que qualquer país do mundo se sentiria igual perante uma tragédia desta magnitude", afirmou, detalhando que "não existe água potável, não há saneamento e não há meios de sanidade para conter uma epidemia. Hoje já se está a gerar sarna, inclusive entre os próprios socorristas".
O socorrista alertou também que continuam por resgatar muitos corpos presos nos escombros e que a maquinaria disponível é insuficiente para avançar com as operações de recuperação. "O odor dos corpos é avassalador. Ficam muitíssimos cadáveres dentro dos edifícios e as máquinas não chegam para remover todos os escombros", indicou.
"Aqui encontra-se o melhor e o pior das pessoas, incluindo os socorristas. Alguns vão como se fosse um turismo de catástrofe. Procuram tirar alguém com vida, sair numa fotografia e ir embora. Quando passam os primeiros dias e as possibilidades diminuem, muitos deixam de comparecer", afirmou.
Por fim, adiantou que dentro de sete dias regressará à Venezuela com um novo contingente integrado por membros de equipas de resgate mineiro especializados em recuperação de corpos, além de dez psicólogos e cinco médicos para reforçar a assistência na zona afetada.