A investigação forense em curso no antigo Lar de Mães e Bebés de Tuam, no condado de Galway, na Irlanda, entrou numa nova fase. As autoridades confirmaram a descoberta de restos mortais de mais 22 bebés em caixões, elevando para 99 o número de crianças recuperadas desde o início das escavações, em julho do ano passado, segundo a revista People.
O próximo passo passa por identificar cada uma das vítimas através de análises de ADN e de estudos antropológicos, numa tentativa de devolver identidade às crianças e encerrar um dos capítulos mais sombrios da história irlandesa.
Daniel MacSweeney, que lidera os trabalhos, em declarações à AFP disse que, um ano depois do início das escavações da vala comum é agora possível "avançar com o exame forense dos restos mortais".
"Poderemos começar a personalizar estas histórias, a compreender como estas pessoas viveram e como morreram", explicou.
As escavações decorrem no local onde funcionou o St. Mary's Mother and Baby Home, uma instituição administrada pelas Irmãs Bon Secours entre 1925 e 1961, destinada a acolher mulheres solteiras grávidas e os seus filhos. Durante décadas, milhares de mulheres passaram por aquele espaço, muitas vezes em condições de extrema vulnerabilidade e sujeitas ao estigma social da época.
Uma descoberta que chocou a Irlanda
O caso ganhou projeção internacional em 2014, quando a historiadora local Catherine Corless revelou que 796 crianças tinham morrido na instituição sem que existissem registos conhecidos dos respetivos locais de sepultura. A investigação conduzida por Corless levou as autoridades irlandesas a iniciar uma comissão de inquérito, que acabaria por confirmar a existência de restos humanos enterrados numa antiga estrutura subterrânea utilizada para saneamento.
Escavações exploratórias realizadas em 2017 confirmaram a presença de restos mortais de bebés e crianças muito pequenas, levando o Governo irlandês a aprovar uma intervenção forense de grande dimensão, iniciada em julho de 2025.
Objetivo é identificar as vítimas
Os restos mortais recuperados estão a ser transportados para laboratório forense instalado em Tuam, onde especialistas procuram determinar a idade, o sexo e, sempre que possível, a identidade das vítimas.
Até ao momento, 62 familiares disponibilizaram amostras de ADN para comparação genética, numa tentativa de identificar os bebés encontrados.
Niamh McCullagh, arqueóloga forense, disse à AFP, que os especialistas estão também a analisar o esmalte dentário.