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Viktor Orbán está prestes a enfrentar um adversário com possibilidades reais de o derrotar nas urnas. E se a chefia do governo pode estar prestes a mudar de mãos, engana-se quem possa pensar que o opositor do atual governo, Petér Magyar, apresenta um projeto político alternativo radicalmente diferente. Magyar, líder do partido Tisza e atual eurodeputado da bancada do Partido Popular Europeu, é assumidamente de direita e conservador e é um ex-membro do Fidesz, o partido liderado por Orbán. O discurso do candidato é também ele orientado para o tema do patriotismo e da união, ainda que mais favorável ao projeto europeu que o do atual primeiro-ministro.
Magyar está a concorrer numa plataforma que, não sendo totalmente distinta à de Orbán, tem na crítica à captura do Estado por parte do Fidesz, bem como à sua abordagem à política externa (particularmente no que diz respeito às relações com a Rússia), as suas principais armas. As manifestações de apoio popular, com enchentes nas ruas, têm sido favoráveis ao candidato da oposição, que diz que o regime já entrou em «modo pânico». «Chegou a hora de avançar», escreveu Magyar numa publicação no X no passado dia 8, porque, «sob um governo do Tisza, a ordem, a paz e a segurança regressarão à Hungria. [...] Viva uma Hungria livre, independente, europeia e humana».
Orbán, por sua vez, mantém a linha do seu discurso nas matérias estruturantes. No dia 3 de abril, por exemplo, escreveu na sua conta oficial do X que uma «pressão estrangeira sem precedentes sobre a Hungria» é «evidente» e apelou para que o povo húngaro não permita «que agentes pró-Ucrânia formem um governo aqui».
A interferência estrangeira tem sido um dos grandes temas desta campanha, tanto de um lado quanto de outro, venha ela de Bruxelas, de Washington ou de Moscovo. A proximidade de Orbán à Rússia tem sido um tema recorrente e Donald Tusk, primeiro-ministro da Polónia, utilizou o X para denunciar isto mesmo: «Orbán declarou a Putin que está à sua disposição em tudo». O chefe do executivo húngaro rebateu, dizendo que está a trabalhar para organizar uma «cimeira EUA-Rússia em Budapeste».
Mas um dos grandes trunfos da campanha de Orbán veio diretamente de Washington, D.C. O vice-presidente americano, J. D. Vance, deslocou-se a Budapeste na última semana, durante alguns dos dias mais importantes para a resolução do conflito no Irão, para declarar apoio ao primeiro-ministro do Fidesz. «Meus amigos», disse Vance, «vão às urnas no fim-de-semana e apoiem Viktor Orbán porque ele defende os vossos interesses». «Sob a liderança de Viktor Orbán», continuou o número dois dos Estados Unidos, «vocês preservaram os valores civilizacionais que fazem com que valha a pena viver num país. A soberania, a prosperidade, a história, o sentimento de comunidade nacional […]. Vocês enfrentaram os burocratas. Vocês enfrentaram os niilistas». Vance criticou ainda a interferência externa contra Orbán, mas Magyar retribuiu a acusação: «Exorto veementemente todos os intervenientes na política internacional – desde a Ucrânia à Sérvia, da Rússia aos Estados Unidos – a não tentarem interferir nas eleições húngaras. Não somos uma arena para jogos geopolíticos. Este é o nosso país, e o seu futuro será decidido pelos cidadãos húngaros».
Ainda assim, o apoio dos Estados Unidos pode não ser suficiente para permitir que Orbán permaneça no poder. A última sondagem do Politico revela que Petér Magyar lidera a corrida contra Viktor Orbán por uma margem assinalável – 49% contra 39%, respetivamente. Por isto, os próximos dias serão intensos e, pela primeira vez em mais de uma década, as na Hungria prometem ser tudo menos monótonas.