sexta-feira, 08 mai. 2026

Diretora e duas funcionárias de creche detidas em Espanha: crianças eram fechadas em quartos escuros e obrigadas a comer até vomitar

As denúncias chegaram de estudantes que faziam um estágio no infantário. Posteriormente terão sido coagidos a retirar as acusações.
Diretora e duas funcionárias de creche detidas em Espanha: crianças eram fechadas em quartos escuros e obrigadas a comer até vomitar

A diretora de uma creche em Jaén, no sul de Espanha, e duas funcionárias foram detidas pelas autoridades espanholas por maus-tratos a 15 crianças que frequentavam o estabelecimento.

De acordo com o revelado pelo jornal espanhol El País, as detidas trancavam as crianças num quarto escuro quando choravam e obrigavam-nas a comer até que vomitassem. As denúncias chegaram de estudantes que faziam um estágio no infantário. Posteriormente terão sido coagidos a retirar as acusações, segundo as autoridades.

A investigação foi levada a cabo pela Unidade de Família e Mulheres (UFAM) da Polícia Judiciária de Jaén, que ouviu o testemunho dos estagiários. Os estudantes relataram situações em que as crianças eram fechadas numa casa de banho escura quando choravam ou não queriam comer, além de serem forçados a alimentar-se até que vomitassem, obrigando-os, ainda assim, a continuarem a comer.

Após a primeira denúncia oficial de um dos tutores dos estagiários, foram identificadas 15 crianças que terão sido submetidas a maus-tratos. As duas educadoras detidas são suspeitas de crime de abuso habitual e maus-tratos infantis.

Já a diretora da creche foi presa por suspeitas do crime de coerção e um outro contra a Administração de Justiça, de acordo com o mesmo jornal espanhol. A diretora terá convocado uma reunião com os pais dos menores logo após as primeiras denúncias, para os informar que seriam chamados pelas autoridades para testemunhar, mas que todos os factos relatados eram falsos e que os seus filhos estavam em "perfeitas condições" no estabelecimento: tudo isto com o objetivo de influenciar o testemunho dos progenitores.

Terá também sido a diretora a coagir os estagiários a retirarem as acusações, alertando sobre possíveis consequências negativas, incluindo ações legais contra eles que poderiam "afetar o seu futuro profissional".

A investigação continua a decorrer para o esclarecimento total dos factos e apuramento das circunstâncias.