segunda-feira, 09 mar. 2026

Descoberta inacreditável: confirmada primeira caverna vulcânica em Vénus

Estruturas semelhantes já foram identificadas na Lua e em Marte, mas as observadas em Vénus parecem ser significativamente maiores.
Descoberta inacreditável: confirmada primeira caverna vulcânica em Vénus

Um novo estudo científico veio reforçar a ideia de que Vénus poderá esconder vastos túneis subterrâneos formados por atividade vulcânica. A investigação, publicada na revista Nature Communications, aponta para a identificação da primeira caverna vulcânica conhecida no planeta, após uma reanálise de dados recolhidos há mais de três décadas.

Os investigadores recorreram a imagens de radar captadas pela sonda Magellan, da NASA, nos anos 1990, reinterpretando-as com tecnologias e métodos mais recentes. A equipa, liderada por Leonardo Carrer, Elena Diana e Lorenzo Bruzzone, concentrou-se na encosta ocidental do Nyx Mons, um enorme vulcão em forma de escudo com mais de 360 quilómetros de diâmetro.

A análise revelou um fenómeno conhecido como skylight, semelhante a "clarabóia", resultante do colapso parcial do teto de um tubo de lava. Este tipo de abertura permite observar cavidades subterrâneas que, de outra forma, permaneceriam ocultas.

No local identificado como “poço A”, os cientistas detetaram uma assinatura de radar invulgar, diferente da observada noutros afundamentos. Essa reflexão assimétrica indica a existência de um vazio horizontal que se estende sob a superfície.

De acordo com os dados disponíveis, a cavidade terá cerca de um quilómetro de diâmetro. O radar conseguiu penetrar pelo menos 300 metros no interior, embora os especialistas considerem que o sistema completo poderá atingir uma extensão próxima dos 45 quilómetros.

A formação destes túneis está relacionada com o arrefecimento da camada superior dos fluxos de lava basáltica. À medida que a superfície solidifica, cria-se uma crosta isolante, enquanto o magma continua a circular por baixo. Quando o fornecimento de lava cessa, fica um túnel vazio de grandes dimensões.

Estruturas semelhantes já foram identificadas na Lua e em Marte, mas as observadas em Vénus parecem ser significativamente maiores. Os investigadores explicam que a baixa gravidade e a atmosfera densa do planeta favorecem a criação de condutas mais amplas e resistentes do que as existentes na Terra. Como termo de comparação, referem que estas formações ultrapassam largamente sistemas conhecidos, como a Cueva de los Verdes, em Lanzarote.

O estudo também sugere que poderão existir muitas outras cavernas ainda por identificar. A resolução limitada das imagens antigas — cerca de 75 metros por píxel — terá impedido a deteção de estruturas mais pequenas.

Segundo os autores, os resultados são especialmente relevantes para futuras missões espaciais, como a EnVision e a VERITAS, que irão dispor de radares mais avançados. Estes equipamentos permitirão mapear o subsolo com maior precisão e detetar aberturas até agora invisíveis.

Os cientistas destacam ainda que estas futuras sondas terão capacidade para penetrar várias centenas de metros na crosta venusiana, abrindo caminho a uma compreensão mais aprofundada da atividade vulcânica do planeta.

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