quarta-feira, 15 jul. 2026

Da coragem dos moradores à revolta nas ruas: os novos detalhes da tentativa de decapitação que deixou Belfast em estado de choque

Após um ataque de extrema violência em Belfast, surgem novos detalhes sobre quem interveio, quem é a vítima e sobre os protestos que marcaram a cidade na noite desta terça-feira.

As imagens são difíceis de ver, e para quem as viu, difíceis de esquecer. Em plena rua residencial, em Belfast, um homem encontrava-se caído no chão, coberto de sangue, enquanto era atacado com uma faca perante dezenas de testemunhas. Mas, no meio do caos, houve quem decidisse agir.

Dois dias após o ataque, que chocou a Irlanda do Norte e está a gerar indignação por todo o mundo devido às imagens que circulam pela internet, continuam a surgir novos detalhes sobre a situação.

Mas, afinal, quem foram os moradores que decidiram intervir no caso?

Um dos rostos que emergiu da multidão é o de Maitiu Mag Tighearnan, que se encontrava nas proximidades, quando se apercebeu de que algo de grave estava a acontecer. Terá aparecido por acaso, disse ao The Guardian.

 Maitiu Mag Tighearnan Belfast

Segundo relatou à imprensa britânica, o homem estava a visitar a companheira quando ouviu gritos vindos da rua. Ao aproximar-se, deparou-se com uma cena que descreveu como caótica: um homem estava no chão enquanto era repetidamente atacado.

Sem qualquer equipamento de proteção e sem conhecer a vítima, Tighearnan agarrou num hurley — um bastão de madeira utilizado no hurling, um dos desportos tradicionais da Irlanda — e correu na direção do agressor. Imagens divulgadas posteriormente mostram-no a atingir várias vezes o suspeito numa tentativa de interromper o ataque, enquanto outros populares o ajudavam, pontapeando e esmurrando o homem.

Questionado nas redes sociais o porquê de ter decidido intervir Tighearnan respondeu: "A polícia foi chamada ainda antes de eu sair do carro para proteger o jovem. Como se esperar pela polícia fosse a minha primeira ideia..."

Apesar dos apelos à calma, o caso desencadeou protestos e violência

O ataque acabou por ter consequências muito para além da rua onde ocorreu.

Após a divulgação das imagens e a confirmação de que o suspeito era um cidadão sudanês de 30 anos, registaram-se protestos em várias zonas de Belfast, poucas horas depois do ataque.

Vários homens vestidos de preto, com os rostos cobertos, na noite desta terça-feira, incendiaram veículos, habitações e bloquearam estradas em diferentes zonas da cidade. Segundo a BBC, eram cerca de 100 homens e atacaram também as autoridades, para além da sua presença reforçada nas ruas e dos apelos à calma. Famílias foram obrigadas a sair das suas casas e muitas terão ficado em chamas devido aos protestos, ou com portas e janelas partidas.

A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, recorreu ao X para mostrar o seu descontentamento relativamente à situação.

"Grupos de homens mascarados a incendiar casas e a expulsar famílias dos seus lares é um ato de pura cobardia.", começa por dizer.

"O racismo, a intimidação e a violência são errados onde quer que ocorram. Não há desculpa nem justificação para estes ataques desta noite. Ninguém quer ver isto nas nossas ruas e eu, mais uma vez, apelo à calma."

Sobre o agressor

O suspeito, de nacionalidade sudanesa, com cerca de 30 anos, é acusado de tentativa de homicídio, posse de arma branca em local público e ameaças de morte. No local terá sido encontrada uma faca de cozinha.

Segundo a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Little-Pengelly, o homem estava no país com um visto de cinco anos e entrou na Irlanda do Norte vindo de Dublin, e depois conseguiu obter permissão para permanecer no país a 28 de setembro de 2023, encontrando-se em situação legal, de acordo com o The Sun.

Contudo, o nome do agressor ainda não foi divulgado, mas deverá comparecer perante o Tribunal de Magistrados de Belfast esta quarta-feira.

Sobre a vítima

O The Sun avança que a vítima, de nacionalidade escocesa e identificado como Stephen Ogilvie, tem 44 anos e sofreu ferimentos graves no rosto, pescoço e costas após o violento ataque com faca na passada segunda-feira.

Ogilive vivia no mesmo prédio que o alegado agressor, segundo o Daily Mail. Os vizinhos descrevem-no como uma pessoa vulnerável por quem se preocupavam, e que vivia ali há cerca de um ano e meio, contudo não sabem os motivos do ataque.