quarta-feira, 13 mai. 2026

Cruzeiro com surto de hantavírus vai atracar em Tenerife, mas governo das ilhas Canárias contesta decisão

O presidente regional diz-se "perplexo pela falta de informações detalhadas", considerando o executivo espanhol "desleal".
Cruzeiro com surto de hantavírus vai atracar em Tenerife, mas governo das ilhas Canárias contesta decisão

O Ministério da Saúde de Espanha anunciou esta quarta-feira que o navio de cruzeiro MV Hondius deverá atracar em Tenerife dentro de poucos dias, com vista à assistência médica dos passageiros afetados pelo surto de Hantavírus. A decisão resultou de uma coordenação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), de acordo com o avançado pelo jornal El Español.

O Ministério da Saúde sublinhou a "obrigação moral e legal de auxiliar estas pessoas", embora o presidente do governo regional das Canárias, Fernando Clavijo, continue a discordar da autorização espanhola, exigindo uma "reunião urgente" com o presidente de Espanha, Pedro Sánchez, com vista a adotar uma decisão "com base em relatórios técnicos completos e não apenas em pedidos de ajuda sem o apoio de informações detalhadas".

Em declarações ao Onda Cero, Clavijo explica que houve uma mudança de cenário que não o terá agradado: o plano inicial seria "evacuar os pacientes afetados por aviões médicos para a Holanda" e o navio continuaria a sua rota com os restantes passageiros até ao destino previsto desde o início (as ilhas Canárias). No entanto, pouco depois da reunião técnica onde isso foi decidido, a ministra da Saúde, Mónica García, terá informado o presidente regional de que um dos pacientes a bordo teria piorado e teria de ser assistido com urgência.

Além disto, o Governo dos Países Baixos terá ainda solicitado que o navio de cruzeiro fosse até às ilhas Canárias e que só aí seria feito o repatriamento. O presidente diz-se "perplexo pela falta de informações detalhadas", exigindo explicações do porquê dessa operação não ter sido desde logo realizada no aeroport internacional de Praia, em Cabo Verde.

"Não há informações que nos digam que o navio precisa navegar três dias até as Ilhas Canárias para realizar um procedimento que poderia ser realizado a partir da Praia", afirma, criticando a falta de informação transmitida.

O líder regional assegurou ainda que a situação "não transmite tranquilidade nem à população nem ao próprio Governo das Ilhas Canárias" e descreveu a ação do executivo como "desleal".

Recorde-se que o navio com bandeira holandesa fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, com destino às ilhas Canárias. Segundo dados da OMS, os primeiros relatos de doença a bordo foram recebidos entre os dias 6 e 28 de abril. Já morreram três pessoas a bordo do navio e, de acordo com o jornal El Español, há pelo menos sete tripulantes com sintomas.