Congressista democrata atacada com líquido após defender a extinção do ICE

Ilhan Omar tem sido alvo frequente de críticas por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intensificou os ataques verbais à congressista nos últimos meses.
Congressista democrata atacada com líquido após defender a extinção do ICE

A congressista democrata Ilhan Omar foi alvo de um ataque na passada terça-feira enquanto participava num encontro com eleitores em Minneapolis, no estado do Minnesota. Um homem aproximou-se do púlpito onde a deputada discursava e borrifou-a com um líquido não identificado, utilizando uma seringa, antes de ser imobilizado pela segurança.

De acordo com a polícia de Minneapolis, os agentes no local testemunharam o momento em que o suspeito projetou o líquido na direção da congressista. O homem foi detido e conduzido para a prisão do condado, disse o porta-voz local da instituição, Trevor Folke. Jornalistas presentes relataram um odor intenso, semelhante a vinagre, no momento do ataque.

Apesar do incidente, Ilhan Omar manteve-se no local e prosseguiu o discurso depois de o agressor ter sido retirado da sala, afirmando que não se deixaria intimidar. À saída, disse estar perturbada com o sucedido, mas garantiu não ter sofrido ferimentos. A congressista foi observada por uma equipa médica.

Nas redes sociais, a congressista garantiu estar bem e sublinhou que não deixa "os bullies ganharem".

O episódio ocorreu pouco depois de Omar ter feito duras críticas à política de imigração dos Estados Unidos, defendendo a extinção da agência de imigração (ICE) e a demissão da secretária da Segurança Interna, Kristi Noem. A plateia reagiu com aplausos no momento em que o agressor foi contido.

O ataque gerou reações transversais no espetro político. A congressista republicana Nancy Mace condenou o sucedido, sublinhando que "nenhum representante eleito deve ser alvo de agressões físicas", independentemente das divergências políticas.

Também o presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, classificou o ataque como "inaceitável", defendendo que a discordância política não pode dar lugar à violência ou à intimidação.

Ilhan Omar tem sido alvo frequente de críticas por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intensificou os ataques verbais à congressista nos últimos meses. Horas antes do incidente, Trump voltou a visá-la num discurso no Iowa, no qual comentou a sua origem somali e reiterou posições restritivas em matéria de imigração. A Casa Branca não comentou o ataque.

O episódio surge num contexto de crescente preocupação com a segurança dos membros do Congresso norte-americano. Nos últimos anos, as ameaças contra eleitos aumentaram, tendo atingido um pico após o ataque ao Capitólio em janeiro de 2021, voltando a registar uma subida recente, segundo dados da polícia do Capitólio dos Estados Unidos.