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O anúncio da visita do presidente Donald Trump, acompanhado pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, à China já tinha levantado dúvidas: como é que Rubio entraria no país se está sob sanções há seis anos?
Em 2020, Pequim decretou sanções ao político, quando este ainda era senador, após medidas norte-americanas contra responsáveis chineses devido ao alegado trabalho forçado na minoria uigur no ocidente de Xinjiang, juntando à situação em Hong Kong após protestos governamentais em 2019.
Mas a verdade é que, desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2025, as sanções parecem já não afetar Rubio. Porquê? O governo chinês e os media nacionais começaram a usar um caractere diferente para o som "lu" para representar a primeira sílaba do sobrenome do secretário de Estado, segundo o revelado pelo The Guardian. Desta forma, as sanções, registadas no nome original de Rubio em chinês, deixam de fazer efeito com a nova transliteração.
Já a embaixada Chinesa garante que as sanções não se aplicam, uma vez que visavam "palavras e ações de Rubio quando serviu como senador dos EUA em relação à China", de acordo com Liu Penguy, porta-voz da embaixada, em declarações à AFP.
Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, já tinha sido questionada por esta mudança no ano passado, à qual respondeu não ter conhecimento, "mas iria investigar".
A posição de Marco Rubio em relação à China tem-se alterado: foi um dos principais autores da legislação do Congresso que impôs sanções ao país devido ao alegado trabalho forçado na minoria uigur, maioritariamente muçulmana, descrevendo a China como um "adversário sem precedentes". No entanto, desde que assumiu o cargo na administração Trump que apoia a posição do presidente norte-americano, que vê Xi Jinping como um amigo e aliado.
A técnica de transliteração não é nova: também Donald Trump tem dois nomes na língua chinesa, não por um motivo em especial, mas porque o processo de tradução de nomes ocidentais nem sempre é feito da mesma forma no geral.