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Donald Trump perdeu a paciência, mais uma vez, com os aliados europeus e recorreu à Truth Social para dizer exactamente o que pensa: "Sem os EUA, a NATO é um tigre de papel", escreveu o Presidente norte-americano, numa mensagem publicada esta sexta-feira. A terminar, deixou, em maiúsculas, um insulto e uma ameaça direta ao bloco ocidental: "COBARDES. Vamos LEMBRAR-NOS".
No texto, Trump acusa os aliados de terem recusado participar na guerra contra o Irão e de se queixarem agora das consequências económicas sem estarem dispostos a resolvê-las. "Não quiseram juntar-se à luta para parar um Irão com potência nuclear. Agora que essa luta está militarmente ganha, com muito pouco perigo para eles, queixam-se dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma simples manobra militar que é a única razão para os elevados preços do petróleo. Tão fácil de fazer, com tão pouco risco", lê-se na mesma publicação.
Esta é a terceira semana de um conflito militar entre os Estados Unidos, Israel e o Irão que começou a 28 de fevereiro e que tem mantido o Estreito de Ormuz efectivamente fechado ao tráfego de petróleo. O impacto nos mercados energéticos tem sido imediato e pesado: o crude Brent está a ser negociado a cerca dos 94 euros por barril, uma subida na casa dos 50% desde o início do conflito, e os preços dos combustíveis nos Estados Unidos atingiram esta semana os valores mais elevados desde 2023. Antes da guerra, cerca de 20% do tráfego mundial de crude passava pelo Estreito.
A frustração de Trump com os aliados tem vindo a crescer ao longo da semana. Na terça-feira, o presidente tinha pedido a países como França, Alemanha, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul que enviassem navios de guerra para garantir a navegação no Estreito, argumentando que se trata de "território deles" e que é de lá que tiram a sua energia. Horas depois, inverteu o discurso e declarou que os Estados Unidos "já não precisam nem desejam a assistência dos países da NATO", acrescentando: "Nunca precisámos!" Em resposta, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Países Baixos, Japão e Canadá emitiram uma declaração conjunta a dizer que apoiariam "esforços adequados" para garantir a passagem segura pelo Estreito, sem no entanto especificar qualquer envolvimento militar directo. O chanceler alemão Friedrich Merz condicionou qualquer participação ao fim dos combates activos.
A mensagem desta sexta-feira surge num momento em que o conflito não dá sinais de abrandamento. As forças israelitas realizaram novos ataques perto de Teerão, o Irão lançou a 66.ª vaga da sua Operação Verdadeira Promessa 4 com mísseis pesados a atingir alvos ligados a Israel e às forças norte-americanas na região, e os Estados Unidos anunciaram o envio de mais tropas e navios de guerra para o Médio Oriente. Trump declarou que a guerra está "militarmente ganha", mas não chegou a proclamar uma vitória formal.
Do lado europeu, o Presidente francês Emmanuel Macron respondeu indiretamente ao afirmar que o conflito com o Irão não vai desviar a França do seu apoio à Ucrânia, onde "a guerra de agressão da Rússia prossegue sem tréguas". A NATO, pela voz do seu secretário-geral Mark Rutte, disse estar "confiante" de que a aliança encontrará uma solução para reabrir o Estreito de Ormuz. Para Trump, a paciência para esse tipo de diplomacia chegou claramente ao fim.