terça-feira, 10 fev. 2026

Clinton disponíveis para depor sobre a investigação do caso Epstein. Porta-voz fala em "má fé" dos republicanos

A reação surge depois de membros republicanos da comissão terem solicitado formalmente o depoimento do antigo casal presidencial, invocando a ligação passada de Bill Clinton ao criminoso sexual condenado
Clinton disponíveis para depor sobre a investigação do caso Epstein. Porta-voz fala em "má fé" dos republicanos

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton manifestaram disponibilidade para comparecer perante uma comissão do Congresso norte-americano, no âmbito da investigação relacionada com o caso Epstein. A posição foi tornada pública pelo porta-voz do casal, Angel Ureña, através das redes sociais.

"Eles negociaram de boa fé. Vocês não. Eles disseram-vos o que sabiam sob juramento, mas vocês não querem saber. Mas o antigo presidente e a antiga Secretária de Estado vão lá estar. Eles esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos", pode ler-se na publicação.

A reação surge depois de membros republicanos da comissão terem solicitado formalmente o depoimento do antigo casal presidencial, invocando a ligação passada de Bill Clinton ao criminoso sexual condenado. Segundo o porta-voz, tanto o ex-presidente como Hillary Clinton já prestaram declarações sob juramento sobre o que sabiam relativamente a Epstein, acusando os congressistas republicanos de "não atuarem de boa-fé".

Paralelamente, a Comissão de Regras da Câmara de Representantes preparava-se para aprovar a realização de uma votação em plenário sobre duas resoluções que recomendam ao Departamento de Justiça a abertura de processos contra Bill Clinton, que liderou o país entre 1993 e 2001, e contra Hillary Clinton, secretária de Estado entre 2009 e 2013 e candidata presidencial em 2016. Caso estas recomendações avancem, caberá ao Departamento de Justiça, atualmente liderado por Pam Bondi, decidir sobre uma eventual acusação formal, que poderá implicar penas até 12 meses de prisão.

A divulgação recente de mais de três milhões de ficheiros relacionados com o caso Epstein pelo Departamento de Justiça voltou a colocar o tema no centro do debate político. Entre os documentos encontram-se fotografias que mostram Epstein na companhia de várias figuras públicas, incluindo o ex-presidente Bill Clinton, bem como personalidades do mundo da música, como Michael Jackson e Mick Jagger.

O gabinete de Bill Clinton acusa a Casa Branca de gerir a divulgação dos ficheiros de forma seletiva, alegadamente para minimizar referências ao atual presidente, Donald Trump, que manteve durante décadas uma relação próxima com Epstein e participou em eventos organizados pelo financiador. Os representantes de Clinton sustentam que o ex-presidente desconhecia os crimes sexuais e rompeu relações com Epstein antes de este ser acusado formalmente.

Donald Trump tem rejeitado qualquer envolvimento em atividades criminosas de Epstein e afirma ter cortado relações antes do início das investigações. Embora tenha defendido durante a campanha presidencial de 2024 a divulgação integral dos ficheiros, acabou por adiar essa decisão, classificando o caso como uma manobra política dos democratas. Em novembro, cedeu à pressão do Congresso e de setores do seu próprio eleitorado, sancionando uma lei que impõe maior transparência sobre o processo.

Os documentos agora tornados públicos incluem nomes de figuras do mundo empresarial, cultural, desportivo e político. Entre eles está o secretário do Comércio, Howard Lutnick, que, segundo os ficheiros, terá planeado uma visita à ilha privada de Epstein em 2012, acompanhado pela mulher, embora não seja claro se a deslocação chegou a concretizar-se. Surge também o nome de Steve Tisch, coproprietário dos New York Giants, que trocou várias mensagens com Epstein, sobretudo em 2013, relacionadas com mulheres.

Outra figura mencionada é Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III do Reino Unido, que perdeu funções públicas após uma das vítimas de Epstein o acusar de manter relações sexuais com ela quando tinha 17 anos.

Entre os milhares de documentos divulgados constam ainda referências a pelo menos 12 alegadas acusações de abuso sexual de menores envolvendo Donald Trump. As acusações, recolhidas pelo FBI no ano passado, não são acompanhadas de provas que permitam avançar com processos judiciais.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em 2019, na cela de uma prisão federal em Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento por crimes de exploração sexual. O óbito foi atribuído a suicídio.