quinta-feira, 14 mai. 2026

Cimenteira Lafarge condenada por financiar terrorismo na Síria

O caso remonta à operação da fábrica de Jalabiya, no norte da Síria, um investimento de cerca de 680 milhões de euros, que a empresa manteve ativa apesar do avanço de grupos armados
Cimenteira Lafarge condenada por financiar terrorismo na Síria

A empresa francesa Lafarge e oito antigos responsáveis foram considerados culpados de financiamento do terrorismo por um tribunal de Paris, por pagamentos a grupos islamitas na Síria entre 2013 e 2014.

Segundo a decisão, a empresa — entretanto integrada na suíça Holcim — terá transferido cerca de 5,6 milhões de euros para várias organizações extremistas, incluindo o Estado Islâmico, para manter em funcionamento uma fábrica durante a guerra civil síria.

De acordo com a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez, os montantes pagos contribuíram para financiar atividades terroristas, incluindo os ataques de janeiro de 2015 em França contra o jornal satírico Charlie Hebdo.

A magistrada afirmou que a empresa estabeleceu uma “verdadeira parceria comercial” com o Estado Islâmico, sublinhando a “gravidade extrema” dos factos.

Antigos responsáveis condenados a penas de prisão

O ex-presidente executivo da Lafarge, Bruno Lafont, foi condenado a seis anos de prisão, com detenção imediata, pena idêntica à pedida pela acusação.

Também o ex-diretor-geral adjunto Christian Herrault foi condenado a cinco anos de prisão, igualmente com ordem de detenção imediata.

Outros sete ex-responsáveis da empresa receberam penas entre 18 meses e sete anos.

O caso remonta à operação da fábrica de Jalabiya, no norte da Síria, um investimento de cerca de 680 milhões de euros, que a empresa manteve ativa apesar do avanço de grupos armados.

Segundo o tribunal, os pagamentos permitiram ao Estado Islâmico consolidar o controlo de recursos naturais e financiar operações terroristas dentro e fora da região.

A unidade acabou por ser evacuada de forma urgente em setembro de 2014, caindo nas mãos dos extremistas no dia seguinte.

Vítimas de atentados associaram-se ao processo

Uma das particularidades do caso foi a participação de vítimas dos Atentados de Paris de 13 de novembro de 2015 como assistentes, que consideram que este financiamento foi uma das “engrenagens” que possibilitou os ataques.

A decisão marca um dos mais relevantes processos judiciais na Europa sobre responsabilidade empresarial em contextos de conflito armado e financiamento do terrorismo.