quarta-feira, 15 abr. 2026

Cientistas espanhóis criam nanopartícula que pode mudar tratamento do cancro

Tecnologia restaura comunicação entre células tumorais e sistema imunitário e pode aumentar eficácia da imunoterapia com menos efeitos adversos.
Cientistas espanhóis criam nanopartícula que pode mudar tratamento do cancro

Uma equipa de investigadores em Espanha desenvolveu uma nanopartícula inovadora que poderá abrir uma nova via no combate ao cancro, ao permitir restabelecer a comunicação entre células tumorais e o sistema imunitário.

O avanço resulta de um trabalho da Universidade Politécnica de Valência, divulgado na revista científica Advanced Materials, e foi destacado num comunicado citado pela agência Efe. Segundo os investigadores, a chave está na capacidade de reativar a ligação entre células cancerígenas e glóbulos brancos, essencial para que o organismo consiga identificar e eliminar o tumor.

Nos tumores, esta comunicação tende a desaparecer devido a mecanismos de evasão imunológica. A nova nanopartícula pretende contornar esse bloqueio, funcionando como uma ponte entre os dois tipos de células.

“Essa eficácia superior pode ser atribuída à sua capacidade de restaurar a comunicação entre o sistema imunológico e o tumor”, explicou o investigador Ramón Martínez Máñez, que lidera a equipa.

A solução inspira-se nos chamados anticorpos biespecíficos, usados em alguns tratamentos de imunoterapia, sobretudo em cancros do sangue. No entanto, esses métodos apresentam limitações, como processos de produção complexos, eficácia reduzida em certos casos e efeitos secundários relevantes.

A alternativa agora apresentada distingue-se por ser mais simples de produzir, mais estável no organismo e potencialmente adaptável a diferentes tipos de cancro. Além disso, poderá reduzir o risco de efeitos adversos.

As nanopartículas desenvolvidas têm uma estrutura com duas faces distintas, permitindo que uma parte se ligue à célula tumoral enquanto a outra interage com o sistema imunitário, facilitando a destruição da célula cancerígena.

Embora o estudo se tenha centrado em melanomas metastáticos, os investigadores acreditam que a tecnologia poderá ser ajustada a outros tumores, incluindo os mais difíceis de tratar com imunoterapia.

“Estas nanopartículas exibem maior estabilidade e capacidade de se concentrarem em áreas tumorais, e espera-se que alcancem bons resultados nos tumores mais desafiantes”, indicou a equipa.

Outra vantagem apontada é a possibilidade de estas estruturas transportarem fármacos, combinando diferentes abordagens terapêuticas num único sistema, o que poderá reforçar a eficácia dos tratamentos no futuro.