O ciclone Gezani atingiu Madagáscar com ventos superiores a 250 km/h, forçando o serviço meteorológico do país a emitir alertas vermelhos em várias regiões devido ao risco de inundações e deslizamentos de terra. O fenómeno ocorre num país com 31 milhões de habitantes, muitos deles em situação de vulnerabilidade económica, e apenas duas semanas após a passagem de um outro ciclone que provocou mais vítimas e destruição, de acordo com a Agência Lusa.
O Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Desastres de Madagáscar confirmou pelo menos 31 mortes e 19 feridos, principalmente devido ao colapso de edifícios, quando o Gezani passou a costa na noite de terça-feira na cidade de Toamasina, principal porto do país, com cerca de 300 mil habitantes. Moradores relataram danos significativos, incluindo casas e lojas destruídas, árvores caídas e ruas alagadas. Vários vídeos nas redes sociais mostram a vaga de destruição causada pelos ventos fortes.
O presidente Michael Randrianirina, que assumiu o poder através de um golpe militar em outubro, visitou Toamasina para acompanhar os estragos e reunir-se com a população local. Vídeos divulgados na sua página oficial no Facebook mostravam bairros inundados, telhados arrancados e escombros espalhados pelas ruas.
À medida que o ciclone avançava de leste a oeste, tem vindo a perder força e já se transformou numa tempestade tropical ao chegar ao interior da ilha, aproximando-se a cerca de 100 km/h da capital Antananarivo, que também está sob alerta vermelho para possíveis inundações.
Em Moçambique, o governo mantém alerta para ventos de até 140 km/h e chuvas intensas com a aproximação do Gezani, podendo impactar cerca de 1,1 milhão de pessoas. O país já enfrenta as consequências das cheias de janeiro, que resultaram em 27 mortes, 147 feridos, nove desaparecidos e afetaram centenas de milhares de pessoas, além de causar danos a milhares de casas, escolas, unidades de saúde e estradas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).