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Há uma reviravolta na informação sobre os portugueses desaparecidos na sequência das cheias que atingiram o Nepal e o Tibete. Ao contrário do que foi inicialmente comunicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), não existe, para já, confirmação de que um cidadão português tenha sido resgatado.
A informação foi apurada pela CNN Portugal, que confirmou junto da representação diplomática do Nepal em Portugal que não há registo confirmado desse resgate. A possibilidade em cima da mesa é a de um erro nas listas de pessoas resgatadas enviadas pelas autoridades nepalesas.
Assim, continuam confirmados dois cidadãos portugueses desaparecidos, ambas mulheres, segundo a informação mais recente disponível.
Listas enviadas sem identificação das vítimas
A situação resulta, em parte, da forma como a informação tem sido transmitida às autoridades portuguesas.
Portugal tem pedido desde o início que as vítimas sejam identificadas, mas tem recebido das autoridades nepalesas listagens apenas com números, sem identificação nominal.
A representação diplomática portuguesa mais próxima do Nepal encontra-se em Nova Deli, na Índia, o que também dificulta o processo de confirmação no terreno.
Até ao momento, o MNE foi contactado por familiares de duas das três pessoas que inicialmente constavam das listas de desaparecidos. Não houve, segundo a informação apurada pela CNN Portugal, qualquer contacto de familiares relativo à alegada terceira vítima nem registo dessa pessoa na aplicação do viajante.
Uma equipa da própria CNN Portugal que se encontra no Nepal confirmou ainda, num briefing com equipas de socorro, que não existe informação que aponte para o resgate de um cidadão português.
MNE diz ter seguido informação das autoridades nepalesas
Confrontado com a informação da representação diplomática do Nepal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros esclareceu que o comunicado divulgado durante a manhã teve por base as listas de resgates enviadas pelas próprias autoridades nepalesas.
O ministério mantém, assim, que comunicou a informação que lhe foi transmitida oficialmente, apesar de Portugal ter solicitado desde o início a identificação das pessoas envolvidas.
O resultado é uma situação de incerteza sobre o paradeiro dos portugueses atingidos pela catástrofe. Para já, duas portuguesas continuam desaparecidas e não há confirmação independente de que o terceiro cidadão tenha sido localizado.
Mais de mil mortos no Nepal e na China
A dúvida sobre os portugueses surge num cenário de catástrofe de enormes proporções.
O balanço mais recente aponta para pelo menos 1.003 mortos no Nepal e na China. No Nepal, as autoridades contabilizam 987 vítimas mortais e 3.916 pessoas desaparecidas, incluindo 583 estrangeiros. Na China foram registadas 16 mortes.
Pelo menos 11.814 pessoas foram resgatadas no Nepal.
As equipas de emergência continuam a procurar sobreviventes em comunidades que ficaram isoladas depois de estradas e pontes terem sido destruídas pelas cheias e pelos deslizamentos de terras. Helicópteros e outras aeronaves estão a ser utilizados para chegar às zonas mais afetadas.
Cheias tiveram origem no colapso de um glaciar
A catástrofe começou a 26 de agosto, após uma sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias.
O colapso de um glaciar libertou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo, desencadeando uma torrente que atingiu os vales do Tibete e do Nepal.
A massa de água e detritos chegou ao rio Bhotekoshi e atingiu com particular violência localidades como Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, no distrito de Rasuwa, uma zona próxima de uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e o Tibete.
Análises de imagens de satélite indicam que o colapso poderá ter envolvido a cedência da rocha sob um glaciar. A queda de rochas teve uma dimensão suficiente para ser registada como um evento sísmico de magnitude 5,2.
As autoridades nepalesas declararam as zonas afetadas como áreas de catástrofe durante três meses e mobilizaram meios militares e privados para as operações de busca e salvamento.
[Notícia corrigida às 16h35 após nova informação da CNN Portugal: resgate inicialmente noticiado pelo Governo português não está confirmado e poderá ter resultado de um erro nas listagens transmitidas pelas autoridades nepalesas]