segunda-feira, 13 abr. 2026

Qatar detém mais de 300 pessoas por divulgação de vídeos e “rumores”

Outros países da região adotaram iniciativas semelhantes para controlar a circulação de informação nas redes sociais
Qatar detém mais de 300 pessoas por divulgação de vídeos e “rumores”

As autoridades do Qatar detiveram mais de 300 pessoas de várias nacionalidades suspeitas de divulgar vídeos, fotografias e informações consideradas falsas sobre alegados ataques militares iranianos,

O Ministério do Interior do país revelou esta segunda-feira que 313 pessoas foram detidas por alegadamente utilizarem indevidamente plataformas digitais para publicar conteúdos enganosos ou rumores relacionados com a atual tensão regional.

Em comunicado, o governo indicou que as detenções ocorreram por “filmagem e divulgação de vídeos não autorizados, disseminação de informações enganosas e rumores, e propagação de conteúdos com o intuito de incitar a preocupação pública”.

As autoridades pediram ainda à população que se abstenha de filmar ou divulgar imagens da situação atual, recomendando que a informação seja obtida apenas através de fontes oficiais aprovadas.

Detenções seguem tendência em vários países do Golfo

As medidas no Qatar surgem numa altura de crescente tensão no Médio Oriente, após retaliações atribuídas ao Irão contra alvos na região, na sequência de ataques israelo-americanos desde 28 de fevereiro.

Outros países da região adotaram iniciativas semelhantes para controlar a circulação de informação nas redes sociais.

No Bahrein, quatro pessoas foram detidas por filmarem e divulgarem vídeos dos efeitos de ataques iranianos e por alegadamente espalharem notícias falsas.

No Kuwait, três pessoas foram igualmente detidas depois de publicarem um vídeo a brincar com a situação de segurança do país.

Já nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades enviaram mensagens oficiais a alertar os cidadãos para possíveis consequências legais caso partilhem imagens sensíveis ou informações não verificadas na Internet.

O procurador-geral do país também advertiu contra a divulgação de fotografias ou vídeos que mostrem locais de incidentes ou danos causados por projéteis ou estilhaços.

Na Arábia Saudita foram emitidos avisos semelhantes, embora continuem a circular nas redes sociais imagens de mísseis, drones e dos efeitos da guerra na região.

As autoridades destes países justificam as medidas com a necessidade de evitar desinformação e pânico público num contexto de instabilidade crescente no Médio Oriente.