quarta-feira, 10 jun. 2026

Caso Henry Nowak: dois polícias obrigados a fugir após serem falsamente identificados por Inteligência Artificial como culpados

Nowak morreu após ser esfaqueado. O agressor terá alegado às autoridades que tinha sido vítima de um ataque racista e as autoridades algemaram Henry Nowak enquanto este gritava que não conseguia respirar.

A morte de Henry Nowak continua a chocar o Reino Unido. Protestos, revolta e pedidos de justiça ecoam nas ruas, enquanto a Inteligência Artificial está a dificultar o caso.

Quem foi Henry Nowak?

Nowak foi um estudante universitário britânico que morreu em dezembro do ano passado, aos 18 anos, após ser esfaqueado por Vickrum Digwa, um britânico de 23 anos, em Southampton, Inglaterra.

O agressor terá alegado às autoridades que tinha sido vítima de um ataque racista. As autoridades algemaram Henry Nowak enquanto este gritava que não conseguia respirar e que tinha sido esfaqueado.

Digwa foi esta segunda-feira condenado a prisão perpétua pelo tribunal inglês.

Os confrontos em Inglaterra

Na noite da passada terça-feira, um grupo de centenas de manifestantes reuniu-se em frente a uma esquadra em Southampton, no sul de Inglaterra, onde entraram em conflito com outros manifestantes de extrema-direita, bem como com vários polícias. Houve lançamento de tijolos e projéteis, acabando por ferir 11 agentes da autoridade.

O que está a acontecer com a Inteligência Artificial?

Uma ex-polícia foi forçada a fugir após ser falsamente acusada online de estar envolvida na detenção de Henry Nowak enquanto este morria lentamente devido aos ferimentos.

A polícia em causa é Christi Hill, agente durante 12 anos - saiu do cargo 20 meses antes do assassinato. Tudo isto aconteceu devido ao sistema de IA criado por Elon Musk, o Grok, que espalhou a falsa informação de que ela era uma das agentes envolvidas no caso, conclusões retiradas através das imagens das câmeras corporais dos polícias.

Além de Christi, estaria também envolvido um outro polícia, que também terá precisado de fugir de casa. Elon Musk chegou mesmo a afirmar que iria financiar uma acusação privada contra os polícias envolvidos.

"Escrevo este post com o coração pesado, tanto por profunda tristeza por um evento trágico quanto pela necessidade de proteger a minha reputação, segurança e tranquilidade", escreveu Christi nas suas redes sociais. "Hoje o meu nome e a minha imagem foram amplamente divulgados nas redes sociais, e agora por plataformas de IA como a Grok, que me identificaram falsamente como um dos polícias que detiveram Henry Nowak", começa por explicar, antes de garantir: "Para deixar absolutamente claro, eu não estive envolvida nesse incidente. Na verdade, deixei a polícia de Hampshire em abril de 2024. Os trágicos eventos envolvendo Henry Nowak ocorreram em dezembro de 2025".

A ex-agente explica ainda que houve um comunicado a circular com as imagens tanto dela como de outro colega, "repetidamente compartilhada e mal atribuída a este caso". "É alarmante ver como rapidamente uma imagem pode ser usada como arma por algoritmos e aceite como facto pelas plataformas de IA, apesar de ser factualmente impossível", lamenta.

Christi afirma ainda estar perturbada, não só pela associação do seu nome a este caso, mas também pela "falta de apoio da polícia de Hampshire para corrigir a narrativa falsa".

"Os meus principais pensamentos permanecem com a família afetada por esta tragédia. Eles merecem justiça e clareza, não o barulho da desinformação online. Peço gentilmente à minha rede que me ajude a compartilhar essa clarificação", apela.

Entretanto, de acordo com o The Guardian, um porta-voz da polícia de Hampshire já reagiu. "Sabemos que houve comentários significativos após a sentença de Vickrum Digwa e reconhecemos o desejo de respostas sobre a resposta policial naquela noite", começa por referir. "No entanto, o que não podemos aceitar é a disseminação significativa de desinformação online por parte daqueles que querem causar mais medo e divisão ao ameaçar policiais e compartilhar nomes que simplesmente não são verdadeiros", sublinha.

O porta-voz revela ainda que os polícias que foram acusados injustamente sofreram ameaças de morte. O Escritório Independente de Conduta Policial está a investigar o caso, bem como os agentes em questão que estiveram presentes na detenção de Henry Nowak. "Enquanto isso avança, pedimos que as pessoas evitem especulações prejudiciais online", apela ainda.

A rede social X foi contactada pelo jornal britânico, mas sem sucesso.