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Passados 15 anos desde o crime que chocou Portugal e os Estados Unidos e 14 desde o julgamento de Renato Seabra, o jovem aspirante a modelo está pronto para depor pela primeira vez. Esta decisão implica que o acusado da morte de Carlos Castro seja sujeito a contra-interrogatório.
O julgamento foi em 2012, data em que Renato Seabra falou pela primeira e última vez sobre o que aconteceu naquele dia 7 de janeiro de 2011. “Quero dizer que matei Carlos Castro. Não é algo que eu queira apresentar de forma diferente. No momento em que entrei no quarto, nesse dia, algo tomou conta de mim. Costumávamos brincar à luta um com o outro, mas era sempre a brincar. Eu nunca fui agressivo antes. Nunca tive qualquer briga com o Carlos. Nesse dia, não sei o que se apoderou de mim. Não compreendi a forma como as coisas aconteceram e não conseguia perceber porquê. Por fim, quero mais uma vez pedir desculpa aos amigos e à família do Carlos Castro e aceito qualquer pena que o juiz me quiser aplicar, porque cometi o crime e agora só Deus sabe o que aconteceu naquele dia": esta é a única declaração pública do jovem, agora com 36 anos, sobre o crime que cometeu, no dia da sentença.
Além de nunca ter prestado declarações, Renato Seabra pediu ao juíz Daniel P. Fitzgerald para não assistir às sessões do julgamento, no qual acabou considerado culpado pelo homicídio do jornalista, escritor e cronista social Carlos Castro, tendo-lhe sido aplicada uma pena que pode ir dos 25 anos a prisão perpétua.
O advogado de Renato Seabra revelou agora que está a preparar um novo recurso com vista à anulação da condenação do português. "Estou a trabalhar ativamente com o Renato Seabra para anular a condenação dele", revelou o advogado Scott B. Tulman, contratado em 2014, ao jornal Observador, considerando que este continua a ser um "caso em aberto". "O Sr. Seabra nunca apresentou uma impugnação pós-condenação nos termos da Lei de Processo Criminal 440.10″, explicou, justificando ainda a demora na entrega do processo, preparado já há meses. "Os documentos da moção estão a demorar tanto tempo porque o Renato está pessoalmente envolvido no processo. A comunicação com uma pessoa numa prisão de segurança máxima não é fácil, mas é necessária", sublinha.
A moção, que deverá ser apresentada em breve, vai ainda incluir uma "declaração juramentada de Renato Seabra", segundo o advogado citado pelo mesmo jornal.
Este não é o primeiro recurso apresentado no caso de Renato Seabra. Em fevereiro de 2018, Tulman entregou uma moção que visava a redução de pena do jovem, justificando-a com a falta de defesa eficaz do antigo advogado de Renato no julgamento em 2012. Segundo ele, David Touger optou por uma "defesa de insanidade", não tendo invocado uma defesa atenuante por "perturbação emocional extrema". No entanto, a moção de Tulman foi recusada pelo tribunal de Nova Iorque.
Detido com 21 anos, se Renato Seabra for libertado após os 25 anos de prisão terá passado mais tempo a cumprir pena do que em liberdade.