quarta-feira, 22 jul. 2026

Cantora iraniana condenada a 74 chicotadas após atuar sem véu. Atuação teve três milhões de visualizações

O espetáculo em causa foi divulgado como "o concerto imaginário", numa alusão ao facto de as mulheres não poderem atuar sozinhas em público no Irão.
Cantora iraniana condenada a 74 chicotadas após atuar sem véu. Atuação teve três milhões de visualizações

A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chicotadas, dois anos de proibição de viajar e a dois anos de interdição de atividade por não cumprir com as normas iranianas num concerto. Juntamente com ela, foram condenados mais oito músicos à mesma pena.

A decisão do tribunal advém de uma atuação no dia 11 de dezembro de 2024, realizada em Deir Gachin, na província de Qom, que acumulou quase três milhões de visualizações no Youtube, onde foi transmitida em direto.

O espetáculo foi divulgado como "o concerto imaginário", numa alusão ao facto de as mulheres não poderem atuar sozinhas em público no Irão.

O processo judicial formal teve início no final de dezembro de 2024, tendo a cantora e os restantes músicos sido detidos. Foram posteriormente libertados sob fiança, de acordo com a organização não-governamental HRANA.

Os arguidos foram acusados de "ofensa à moral pública", bem como de "produção, envio, distribuição e publicação" de conteúdos classificados como "vulgares e imorais".

Parastoo Ahmadi tornou-se conhecida no país após os protestos em 2022 pela morte de Mahsa Amini, que foi presa e espancada até a morte numa rua do Teerão pelo seu “hijab impróprio”. Na altura, Ahmadi divulgou uma interpretação de uma música associada à contestação do regime.