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O Adelaide Writer’s Week é um dos maiores festivais de literatura da Austrália. Iria realizar-se de 28 de fevereiro a 5 de março deste ano; no entanto, a exclusão de uma autora palestiniana gerou uma semana de críticas que terminaram com a suspensão do festival e a demissão do conselho do festival, anunciada pela organização esta terça-feira.
“Enquanto Conselho, tomámos esta decisão [de excluir a autora] por respeito por uma comunidade que está a viver a dor causada por um acontecimento devastador. No entanto, esta decisão acabou por criar mais divisão e, por isso, apresentamos as nossas mais sinceras desculpas”, pode ler-se num comunicado no site da organização.
Randa Abdel-Fattah é a autora palestiniana em questão, que reagiu à exclusão através das suas redes sociais, classificando-a como censura e "um ato flagrante e vergonhoso de racismo anti-palestiniano".
A organização alegou “sensibilidade cultural” para justificar a sua decisão, referindo-se ao recente massacre na praia de Bondi, em Sydney, durante uma celebração judaica do Hanukkah, garantindo que não pretende ligar a arte da autora ao tiroteio antissemita.
No entanto, esta decisão não foi apenas contestada pela autora, mas sim por mais 180 autores e oradores que fariam parte do festival em fevereiro, que acabaram por cancelar a sua presença, impossibilitando a realização do evento.
“Pedimos desculpa à Dra. Randa Abdel-Fattah pela forma como a decisão foi apresentada e reiteramos que esta não se prende com identidade ou dissidência, mas sim com uma mudança rápida e contínua no discurso nacional em torno da amplitude da liberdade de expressão no nosso país, na sequência do pior ataque terrorista da história da Austrália”, lamenta a organização.
Posto isto, a organização anunciou ainda a demissão dos membros do conselho do festival, “assegurando o sucesso do Adelaide Festival 2026 e dos anos seguintes”.
Recorde-se que o massacre referido pela organização aconteceu a 14 de dezembro de 2025, na praia de Bondi, nos arredores de Sydney, durante uma celebração judaica. Sujeitos com armas de fogo começaram a disparar sob quem estava na praia, matando pelo menos doze pessoas e deixando dezenas de feridos.