terça-feira, 21 jul. 2026

Camião avaria no deserto e deixa 49 pessoas morrerem de sede

Há dois sobreviventes.
Camião avaria no deserto e deixa 49 pessoas morrerem de sede

Quarenta e nove cidadãos, naturais do Níger, morreram de sede numa zona remota do deserto, entre a Argélia, o Níger e o Mali, depois de o camião em que viajavam avariar e os deixar sem acesso a água durante vários dias.

A tragédia ocorreu a mais de 80 quilómetros de Assamaka, segundo informações divulgadas pelas autoridades da região de Agadez.

As vítimas integravam um grupo que regressava do Mali para as celebrações de uma festividade muçulmana quando o veículo sofreu uma avaria numa das zonas mais inóspitas do deserto.

"Privados de água e incapazes de reparar o veículo, apesar dos esforços do motorista, dos seus ajudantes e dos passageiros, os viajantes viram-se presos no meio de um ambiente hostil, onde as temperaturas extremas e a ausência de pontos de abastecimento tornam a sobrevivência extremamente difícil", descreve a administração provincial.

No entanto, duas pessoas conseguiram sobreviver. "Percorreram mais de 50 quilómetros a pé antes de chegarem a uma poça de água e, posteriormente, a Assamaka, onde puderam dar o alarme.", revelam as autoridades.

Os 49 mortos foram posteriormente sepultados em valas comuns devido às difíceis condições encontradas no terreno.

Uma rota marcada por tragédias

A região onde ocorreu o incidente é conhecida por ser uma importante rota de circulação entre o Mali, o Níger e a Argélia. Também é frequentemente utilizada por migrantes que tentam alcançar o norte de África e, posteriormente, a Europa.

Organizações humanitárias alertam há vários anos para os riscos extremos associados à travessia do Saara, onde avarias mecânicas, falta de água e temperaturas que podem ultrapassar os 45 graus tornam qualquer incidente potencialmente fatal.

A tragédia agora registada volta a evidenciar os perigos enfrentados por quem percorre algumas das zonas mais isoladas e áridas do planeta. Em 2025, pelo menos 35 migrantes morreram no deserto do Níger, segundo relatou a organização não governamental Alarme Phone Sahara (APS).