Era o dia 20 de julho. David Cifaldi, apaixonado por trilhas, tinha ido com alguns colegas atravessar o planalto “Frozen to Death” - a montanha mais alta do estado norte-americano de Montana.
Quando estavam já próximos do cume, perto das 10h00 da manhã, sete horas após o início da trilha, o enfermeiro de 32 anos escorregou e caiu. Não parecia estar ferido, mas faltava-lhe uma coisa: um dos seus bastões. “Ah esta coisa parece estar a sair de mim”, disse. E estava mesmo: o bastão desaparecido perfurou a lateral esquerda do seu corpo, atravessando a zona lombar.
“Conseguia sentir o bastão de caminhada através da minha pele”, recorda. A ferida não deitava sangue e Cifaldi lembra-se de conseguir respirar fundo. Foram esses os sintomas (ou a falta deles) que lhe deram a certeza de que não era grave.
Após conversar com os amigos e de recusar pagar os custos de um resgate de helicóptero, David decidiu que se iria salvar a si mesmo. “Eu pensei: ‘Temos de sair desta montanha’ e os dois ficaram ‘Não sei como’”, recorda a reação dos amigos, citado pela CNN Internacional. David insistiu que o bastão não tinha atingido a sua parede torácica nem nenhum órgão vital, garantindo que seria um “ferimento superficial”.
Foi assim que convenceu os amigos a contactar as autoridades para as colocar a par da sua operação de “auto-resgate”.
O grupo de amigos desceu a montanha por um caminho não marcado até finalmente chegarem à trilha estabelecida. Foram seis horas e mais de 16 quilómetros até ao carro de Jesse Ross, um dos amigos de Cifaldi.
“A única razão pela qual isso foi possível foi pela confiança dele”, recorda Ross. “Quem somos nós para dizer alguma coisa? Ele é o enfermeiro. O nosso trabalho era apoiá-lo”. Ao longo da caminhada até à viatura, recordam os amigos, Cifaldi pediu aos amigos para manterem contacto com as autoridades, e para avisarem todas as pessoas com que se cruzassem para que crianças não se assustassem com o ferimento.
Embora tivessem chegado à unidade local de saúde mais próxima, foram aconselhados a deslocarem-se ao hospital Intermountain Health em Billings, onde David era enfermeiro. Foram mais duas horas de caminho a acrescentar às seis de caminhada com o objeto estranho no corpo. Após inúmeros exames, a conclusão chegou: David precisava de ser operado.
A questão? Era uma espera de mais duas horas. “Eu só pensava ‘por favor, alguém que me tire isto’”, insistiu. Os médico acabaram por aceder ao pedido e retirar o bastão com anestesia local.
“Três centímetros ao lado e estaria morto, ou pelo menos em risco de vida”, recorda, agradecendo aos seus dois “amigos inabaláveis que nunca vacilaram”.
David voltou a trabalho poucos dias depois da aventura e garante: "Sinto-me muito sortudo".