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A Bulgária vai este domingo às urnas votar para o próximo primeiro-ministro, com as comparações à Hungria a crescer e uma previsão de aproximação à Rússia.
O país mais pobre da Europa vai realizar a oitava eleição legislativa em cinco anos, o que quer dizer que nenhum governo eleito nos últimos anos conseguiu cumprir um mandato completo.
Rumen Radev, antigo presidente que se demitiu em janeiro para criar um novo partido (uma coligação "Bulgária Progressista") candidato às eleições, lidera as sondagens com mais de um terço das intenções de voto ao lado de outros três candidatos, de acordo com o jornal Observador. Embora seja praticamente impossível que as eleições se traduzam numa maioria consolidada, Radev é visto como um "decisor-chave" no "novo" parlamento.
A confiança do público na política do país está mais fragilizada do que nunca, após anos de coligações fragéis e alianças de curta duração.
O que aconteceu no último governo?
Uma onda de protestos no final de 2025 provocou a queda do governo de Boyko Borissov. Foi a maior manifestação registada em décadas, desencadeada por um projeto de orçamento contestado.
No centro da polémica estava o antigo primeiro-ministro Boyko Borissov e um outro político búlgaro, Delyan Peevski, sancionado ao abrigo da Lei Magnitsky dos Estados Unidos, que impõe sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos. As alegações constatam que estes terão, em conjunto, consolidado o controlo do Estado em Peevski, mesmo este não fazendo parte da coligação no governo.
Passado pouco tempo de toda a confusão política, Radev demitiu-se do cargo de presidente e lançou o seu próprio projeto político. É conhecido como o "homem que iria quebrar a oligarquia".
A comparação com a Hungria
A afluência recorde às urnas húngaras e a destituição de um governo que estava cimentado no parlamento há 16 anos deu esperança à população búlgara de que o próprio país poderia alcançar um ciclo de estabilidade.
No entanto, a visão de Radev pode ter uma imagem diferente. Slavi Vassilev, um dos colaboradores mais próximos de Radev, explicou à emissora búlgara Nova TV que "se Radev liderasse um partido, seria pró-europeu, mas dentro de uma Europa que dá prioridade à sua própria visão do mundo", acrescentando que "na minha opinião, ele vai aproximar-se mais das políticas de Orbán".
Apesar de o colaborador rejeitar que Orbán e Radev se aproximam de políticas pró-russas, as declarações do político são diferentes. Em relação à invasão russa na Ucrânia, Radev tem-se oposto à ajuda militar a Kiev, acusando o país de "prolongar o conflito".
Já em várias ocasiões, esta visão trouxe à superfície a sua opinião, inclusive quando protagonizou um confronto público com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante uma visita a Sófia, em 2023.
Já em relação à União Europeia, Radev acusa Bruxelas de se tornar "refém da sua ambição de liderança moral", defendendo que deve dar prioridade aos interesses económicos, como os EUA, China e Rússia. Já antes de a Bulgária aderir ao Euro, em janeiro de 2026, Radev tentou convocar um referendo por considerar que a adoção da moeda era "prematura", mas foi rejeitado pelo Parlamento e Tribunal Constitucional.
Agora assume a defesa de que os políticos que "introduziram o euro à revelia do povo" sejam castigados.
A eleição deste domingo é decisiva, com o povo búlgaro à espera de que os desenvolvimentos na Hungria possam inspirar a afluência às urnas de forma a evitar um "estilo de governação de Orbán". O povo confia em Radev para acabar com a corrupção no país.
Também a União Europeia irá acompanhar de perto os resultados, já que qualquer sinal de maior instabilidade num estado-membro vai ter impacto em todos os outros 26.