A Comissão Europeia alertou os Estados-membros para o risco de uma “potencial perturbação prolongada” no mercado energético e defendeu medidas para reduzir a procura de energia, numa tentativa de evitar nova pressão sobre os preços e garantir abastecimento suficiente nos próximos meses. O aviso surge num momento de forte instabilidade internacional, sobretudo devido ao impacto do conflito no Médio Oriente sobre os mercados do gás e do petróleo.
O alerta foi deixado pelo comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen, numa carta dirigida aos ministros da Energia da União Europeia. Bruxelas considera que, embora a segurança do abastecimento europeu esteja protegida nesta fase, a situação internacional continua volátil e pode prolongar-se, com efeitos diretos no custo da energia para famílias e empresas.
"A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida, mas temos de estar preparados para uma potencial perturbação prolongada do comércio internacional de energia. É por isso que precisamos de agir já e precisamos de agir em conjunto, como uma verdadeira União", disse Dan Jørgensen, citado pela nota de imprensa, de acordo com a agência Lusa.
No comunicado, Bruxelas defendeu que, "no mesmo espírito, os Estados-membros devem abster-se de adotar medidas que possam aumentar o consumo de combustíveis, limitar a livre circulação de produtos petrolíferos ou desincentivar a produção das refinarias da UE".
Bruxelas insiste que a redução da procura energética continua a ser uma das armas mais eficazes para proteger a Europa. Quanto menor for o consumo, menor será a exposição da UE a choques externos, volatilidade nos mercados internacionais e dependência de combustíveis fósseis importados.
A UE enfrenta, assim, uma crise energética marcada não pela escassez imediata de fornecimento, mas pelo aumento acentuado dos preços de energia devido ao conflito no Médio Oriente que começou dia 28 de fevereiro, numa região estratégica para o fornecimento global de energia.