O bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, foi assassinado com um tiro no coração na madrugada deste sábado, na sua residência oficial, na província da Zambézia, no centro de Moçambique. A informação foi avançada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), que confirmou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias do crime.
Segundo o porta-voz do Sernic na Zambézia, Maximino Amílcar, os autores do ataque terão escalado o muro da residência episcopal, neutralizado o sistema de segurança elétrica e disparado contra o bispo com uma arma do tipo AK-M.
Em declarações aos jornalistas, o responsável adiantou que Osório Citora Afonso foi atingido "na parte do peito, no coração, provavelmente uma bala", escusando-se, para já, a fornecer mais detalhes enquanto decorrem as diligências de investigação.
Autoridades ainda procuram suspeitos
Até ao momento, não foram efetuadas detenções relacionadas com o caso.
"Estamos aqui perante um homicídio agravado como é do vosso domínio, do domínio público e por enquanto não vamos avançar detalhes porque estamos a trabalhar, como sabem que o serviço criminal é para investigar e não é fácil de madrugada para estas alturas trazer estes detalhes deste homicídio agravado", afirmou Maximino Amílcar.
A Polícia da República de Moçambique tinha indicado anteriormente que estava a recolher elementos no terreno para determinar as causas da morte.
"Houve morte, sim, confirmo, mas ainda não temos as causas e a polícia está no terreno a investigar, por isso não posso adiantar agora qualquer causa, porque os colegas estão a avançar com a perícia", declarou a porta-voz da corporação na Zambézia, Belarmina Muija.
Conferência Episcopal confirma morte
A morte de Osório Citora Afonso foi confirmada pela Conferência Episcopal de Moçambique, que destacou o papel desempenhado pelo religioso na Igreja Católica moçambicana.
Além de bispo da Diocese de Quelimane, Osório Citora Afonso exercia funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, tinha sido eleito bispo de Quelimane em julho de 2025. Em abril deste ano, foi nomeado pelo Papa Leão XIV como administrador interino da Arquidiocese da Beira.
Presidente de Moçambique lamenta perda
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, manifestou pesar pela morte do bispo, classificando-a como uma perda para o país.
Numa mensagem divulgada este sábado, o chefe de Estado destacou o percurso de Osório Citora Afonso, sublinhando a sua dedicação pastoral e o compromisso com os valores da paz, da reconciliação e do diálogo.
Também o político Venâncio Mondlane reagiu ao caso, condenando aquilo que classificou como o "brutal assassinato" do bispo de Quelimane.
"A trágica perda de uma voz tão relevante para a igreja Católica e para a sociedade moçambicana constitui um golpe doloroso contra os valores da paz, da reconciliação e do diálogo no nosso país", escreveu nas redes sociais.
As autoridades continuam a investigar o homicídio, numa altura em que permanecem por esclarecer a motivação do crime e a identidade dos autores.