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Animais no OnlyFans era um cruzamento que não era previsível de acontecer. Mas a falta de dinheiro para manter um dos estudos mais antigos do mundo sobre marmotas levou o biólogo Daniel Blumstein a medidas extremas.
Como surgiu a ideia?
Quando os cortes no financiamento começaram a ameaçar o projeto com mais de seis décadas, o biólogo teve uma ideia inovadora.
O professor da Universidade da Califórnia em Los Angels (UCLA) contou à agência Reuters como começou o processo. Estava com a sua mulher a ver a série “Margo’s Got Money Troubles”, da Apple TV+ - uma produção sobre uma mãe solteira que recorre ao OnlyFans, um serviço online de conteúdo por assinatura criado em 2016, para sustentar o filho.
"Um dia voltei ao laboratório e perguntei: 'O que acham de eu criar uma conta no OnlyFans?'. A Emily, uma das minhas alunas de pós-graduação, respondeu logo que sim. Acho que foi a Emily quem sugeriu 'OnlyMarms'. Rimo-nos todos, começámos a falar sobre a ideia e, pouco depois, ela disse: 'Já está criada. Só falta introduzires os teus dados bancários e o número da Segurança Social'. Fiquei a olhar para ela, pensei um pouco, voltei para o gabinete e criei a conta", recorda.
No entanto, a criação da conta não foi tão fácil como parecia.
Durante a verificação obrigatória da identidade na plataforma, o OnlyFans recursou o perfil, uma vez que a fotografia que o identificava era apenas uma marmota (e não uma pessoa, como habitual).
“Fui rejeitado. Pelos vistos, não passei na verificação de idade porque, embora tivesse enviado fotografias da minha carta de identificação e uma fotografia minha, a imagem da conta era uma marmota e não eu. Nós só publicamos marmotas, apenas conteúdos classificados para todos os públicos. E eles disseram: 'É preciso verificar a idade de todos'. Durante alguns dias pensei: 'Se calhar é aqui que isto acaba'. Depois enviei-lhes um e-mail a explicar que nunca conseguiríamos verificar a idade das marmotas porque esta era uma nova forma de financiar investigação científica", explicou. A partir daí, o perfil foi aprovado.
Como funciona o projeto?
A conta “OnlyMarms” utiliza imagens captadas por câmaras instaladas nas tocas dos animais, usadas pelo Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas, no Colorado. As protagonistas das imagens são marmotas-de-barriga-amarela, uma das 14 espécies de marmotas, da família dos esquilos, conhecidas pelo corpo rechonchudo e pela longa hibernação.
A página publica vídeos e fotografias das marmotas nas mais variadas atividades: a correr, a comer, a socializar entre elas e a entrar e sair das tocas.
A recompensa monetária
Embora parecesse uma ideia pouco viável no início, o projeto já angariou mais de 5 mil dólares (cerca de 4.300 euros) em subscrições.
Além disso, conseguiram ainda cerca de 40 mil dólares (34.400 euros) em doações de memecoins, uma criptomoeda criada com base num meme, piada ou tendência da internet.
Uma iniciativa que já serve de inspiração
Blumstein frisa que gostava de angariar dinheiro suficiente para o seu objetivo (100 mil dólares) e, assim, inspirar outros laboratórios a seguirem a tendência.
“Uma colega e vizinha minha, no Colorado, contou-me que, no laboratório dela, sugeriram criar um 'OnlyButts'. Eles estudam borboletas, mas ela disse: 'Nós não somos tão fotogénicos como as tuas marmotas'”, brincou.
O estudo das marmotas-de-barriga-amarela
O estudo para o qual toda a iniciativa funciona começou em 1962, com Daniel Blumstein na direção desde 2001.
Os investigadores acompanham estes animais com o objetivo de compreender melhor o seu comportamento, crescimento, reprodução e adaptação ao ambiente de montanha.