sexta-feira, 13 mar. 2026

BBC expõe venda de vídeos íntimos por câmaras escondidas em hotéis da China

Alguns dos locais oferecem mesmo conteúdos para consumo direto e são acompanhados por um chat onde os visualizadores classificam e comentam.
BBC expõe venda de vídeos íntimos por câmaras escondidas em hotéis da China

A estação de televisão britânica, BBC, denunciou esta sexta-feira que "milhares" de vídeos sexuais, gravados com câmaras escondidas colocadas ilegalmente em hotéis da China, são vendidos no país, apesar de a distribuição de pornografia ser ilegal.

A BBC, numa reportagem de investigação, refere a existência de inúmeros sites onde podem ser encontrados esses vídeos, com imagens reais de casais que partilhama a sua intimidade, mantendo relações sexuais, nos quartos de hotel, sem saberem que estão ser filmados.

Muitos dos vídeos estão alojados na plataforma de mensagens Telegram, afirma a BBC. Numa das mensagens é anunciada uma "oferta" de gravações provenientes de 180 hotéis diferentes, localizados em várias províncias.

O jornalista que assina a reportagem verificou pessoalmente a existência de conteúdos disponíveis de 54 câmaras distintas, metade das quais operacionais em direto, caso o utilizador assim o deseje.

Na reportagem é citado o exemplo de um portal que, mediante o pagamento mensal de 450 yuans (cerca de 55 euros), dava acesso a conteúdos de cinco câmaras, que começavam a gravar no momento em que o cliente ligava a eletricidade do quarto. O sistema permitia recuar algumas cenas e até descarregá-las e guardá-las.

Os repórteres identificaram, num dos quartos identificados, uma minicâmara apontada para a cama, escondida no sistema de ventilação.

Com frequência, os vídeos são acompanhados de comentários dos participantes no 'chat', em que classificam regularmente as mulheres como "prostitutas" e utilizam outros termos semelhantes.

Estas atividades violam várias leis chinesas, que proíbem a venda de pornografia, a instalação de câmaras em hotéis sem o conhecimento dos clientes e até a utilização do Telegram, que os utilizadores descarregam alegadamente através de redes privadas virtuais (VPN).