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A estação de televisão britânica, BBC, denunciou esta sexta-feira que "milhares" de vídeos sexuais, gravados com câmaras escondidas colocadas ilegalmente em hotéis da China, são vendidos no país, apesar de a distribuição de pornografia ser ilegal.
A BBC, numa reportagem de investigação, refere a existência de inúmeros sites onde podem ser encontrados esses vídeos, com imagens reais de casais que partilhama a sua intimidade, mantendo relações sexuais, nos quartos de hotel, sem saberem que estão ser filmados.
Muitos dos vídeos estão alojados na plataforma de mensagens Telegram, afirma a BBC. Numa das mensagens é anunciada uma "oferta" de gravações provenientes de 180 hotéis diferentes, localizados em várias províncias.
O jornalista que assina a reportagem verificou pessoalmente a existência de conteúdos disponíveis de 54 câmaras distintas, metade das quais operacionais em direto, caso o utilizador assim o deseje.
Na reportagem é citado o exemplo de um portal que, mediante o pagamento mensal de 450 yuans (cerca de 55 euros), dava acesso a conteúdos de cinco câmaras, que começavam a gravar no momento em que o cliente ligava a eletricidade do quarto. O sistema permitia recuar algumas cenas e até descarregá-las e guardá-las.
Os repórteres identificaram, num dos quartos identificados, uma minicâmara apontada para a cama, escondida no sistema de ventilação.
Com frequência, os vídeos são acompanhados de comentários dos participantes no 'chat', em que classificam regularmente as mulheres como "prostitutas" e utilizam outros termos semelhantes.
Estas atividades violam várias leis chinesas, que proíbem a venda de pornografia, a instalação de câmaras em hotéis sem o conhecimento dos clientes e até a utilização do Telegram, que os utilizadores descarregam alegadamente através de redes privadas virtuais (VPN).