terça-feira, 10 fev. 2026

Barcelona. Realizado o primeiro transplante mundial de cara de doadora que pediu eutanásia

A mulher que recebeu o transplante ficou com a cara desfigurada por causa de uma infeção bacteriana, o que lhe impedia de comer ou "sair à rua e tomar um café".
Barcelona. Realizado o primeiro transplante mundial de cara de doadora que pediu eutanásia

Um hospital de Barcelona fez o primeiro transplante de cara no mundo a partir de uma doadora que pediu a eutanásia, o que permitiu um trabalho de planificação com tecnologias inéditas e melhores resultados, anunciou hoje a equipa médica, avança a LUSA.

"O transplante de cara não consiste só em colocar tecidos moles para uma aparência normal. Faz-se para dar funções e sensibilidade. Um transplante de cara que não se sente nem se mexe não é mais do que uma máscara. São estruturas tridimensionais com músculos, tecidos, que se devem conectar com diâmetro muitas vezes de menos de um milímetro", explicou Joan-Pere Barret, chefe da unidade de cirurgia plástica e queimados do Hospital Vall d'Hebron.

O médico sublinhou que um transplante de cara "é considerado muito complexo" e por isso "há poucos a nível mundial".

A mulher que recebeu o transplante esteve também na conferência de imprensa e foi apresentada apenas como Carme aos jornalistas, e contou que ficou com a cara desfigurada por causa de uma infeção bacteriana, o que lhe impedia de comer ou "sair à rua e tomar um café" e lhe dificultava a respiração.

"Já começo a comer, posso falar, tenho sensibilidade na zona do transplante, já tomo um café. Não me importa sair à rua e posso fazer vida normal. Recuperei uma qualidade de vida que não imaginava que voltaria a ter", disse aos jornalistas.

De forma a respeitar a legislação espanhola, Carme e a doadora não se conheceram nem tiveram qualquer contacto.

O médico Joan-Pere Barret contou que a doadora, quando pediu a eutanásia, disse querer doar os seus órgãos e questionou se poderia também doar a cara.