A presidente da câmara de Arcadia, nos arredores de Los Angeles, admitiu ter atuado secretamente em nome do regime chinês e participado numa operação de propaganda coordenada por Pequim, segundo documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
De acordo com uma investigação publicada pelo The Bureau, Eileen Wang aceitou declarar-se culpada pelo crime de atuar como agente estrangeira sem registo oficial, infração que pode ser punida com até dez anos de prisão federal.
As autoridades norte-americanas alegam que Wang trabalhou em conjunto com Yaoning 'Mike' Sun, antigo militar chinês já condenado nos EUA por atuar ilegalmente ao serviço de Pequim. Os dois integrariam estruturas ligadas ao Departamento de Trabalho da Frente Unida, organismo associado às operações de influência externa do Partido Comunista Chinês.
Mensagens enviadas através do WeChat
Segundo os documentos judiciais, em 2021 Wang recebeu artigos preparados por responsáveis chineses através da aplicação WeChat. Um dos textos negava acusações internacionais de genocídio e trabalho forçado na região de Xinjiang.
A autarca publicou rapidamente o conteúdo em plataformas dirigidas à comunidade chinesa nos Estados Unidos e enviou provas da publicação aos responsáveis chineses.
Depois de um dos oficiais responder “So fast, thank you everyone”, Wang respondeu: “Thank you leader”. Ambas as frases constam literalmente nos documentos citados pela investigação.
Ligações a alegadas redes de influência chinesa
O processo refere ainda contactos entre Wang e John Chen, apontado pelas autoridades como um elemento sénior ligado aos serviços de inteligência chineses e anteriormente condenado nos Estados Unidos.
Os procuradores defendem que Wang participou em ações coordenadas para divulgar mensagens alinhadas com os interesses diplomáticos de Pequim, incluindo conteúdos sobre Xinjiang enviados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.