terça-feira, 21 jul. 2026

Ataques ucranianos provocam cortes de energia na Crimeia. França apreende petroleiro da “frota fantasma” russa

A Rússia anunciou cortes temporários de energia em toda a Crimeia após ataques ucranianos a infraestruturas energéticas da península anexada. No mesmo dia, a França revelou ter intercetado um petroleiro suspeito de integrar a “frota fantasma” utilizada por Moscovo para contornar as sanções internacionais
Ataques ucranianos provocam cortes de energia na Crimeia. França apreende petroleiro da “frota fantasma” russa

A Rússia anunciou esta quinta-feira cortes temporários de energia em toda a Crimeia na sequência dos recentes ataques ucranianos contra infraestruturas energéticas da península anexada por Moscovo em 2014.

O anúncio foi feito por Serguei Aksyonov, responsável da região nomeado pelas autoridades russas, que confirmou danos na rede elétrica provocados por ações militares atribuídas à Ucrânia.

"A infraestrutura energética foi danificada por ataques inimigos e, por esse motivo, vão ocorrer cortes temporários de energia em toda a Crimeia", escreveu Aksyonov nas redes sociais.

Segundo o responsável, os cortes serão aplicados de forma seletiva e controlada para minimizar o impacto sobre a população, garantindo a continuidade dos serviços essenciais, incluindo o abastecimento alimentar e o acesso a medicamentos.

Sebastopol ficou sem eletricidade

Os problemas na rede energética agravaram-se depois de a cidade de Sebastopol, principal centro urbano da Crimeia e base estratégica da frota russa do Mar Negro, ter ficado sem eletricidade na quarta-feira.

A cidade, com cerca de 550 mil habitantes, enfrentou a interrupção do fornecimento energético numa altura em que as temperaturas rondavam os 30 graus Celsius.

As autoridades russas atribuíram a falha a ataques de drones ucranianos.

No domingo, Moscovo já tinha anunciado a suspensão da venda de combustível nos postos de abastecimento da península, numa decisão que evidenciou as dificuldades logísticas enfrentadas pela região.

Kiev tenta isolar a península

A Ucrânia tem intensificado os ataques contra infraestruturas militares, energéticas e logísticas na Crimeia, numa estratégia destinada a enfraquecer a capacidade operacional das forças russas.

Kiev procura sobretudo interromper as rotas de abastecimento utilizadas por Moscovo para sustentar as operações militares no sul da Ucrânia.

A Crimeia continua a desempenhar um papel central na estratégia militar russa desde a invasão em larga escala da Ucrânia, funcionando como plataforma logística e operacional para as forças destacadas na região do Mar Negro.

A península foi anexada pela Rússia em 2014, após uma intervenção militar que ocorreu num período de instabilidade política em Kiev. A anexação continua a não ser reconhecida pela maioria da comunidade internacional.

França reforça combate à “frota fantasma” russa

Entretanto, no Mediterrâneo, a França anunciou ter intercetado um petroleiro suspeito de integrar a denominada "frota fantasma" utilizada pela Rússia para contornar as sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia.

O anúncio foi feito pelo Presidente francês que revelou que a Marinha francesa abordou o navio-tanque "Deliver" ao largo da costa da Sicília.

Segundo Emmanuel Macron, a embarcação estaria a operar em violação das normas do direito marítimo internacional.

O chefe de Estado francês garantiu que Paris continuará a atuar contra este tipo de operações.

"A França não permitirá que a frota fantasma contorne as sanções e financie o esforço de guerra russo", afirmou.

Quinto navio intercetado desde 2025

De acordo com as autoridades francesas, este foi o quinto navio suspeito de integrar a rede marítima russa a ser abordado e apreendido pela França desde setembro de 2025.

Os países europeus acusam Moscovo de utilizar embarcações registadas em países terceiros para transportar petróleo e outras cargas estratégicas, evitando assim as restrições impostas pelos aliados ocidentais.

Estas embarcações operam frequentemente através de estruturas empresariais pouco transparentes e mudanças sucessivas de bandeira, dificultando o rastreamento das operações comerciais.

A interceção do "Deliver" surge numa altura em que os países europeus procuram reforçar a fiscalização das rotas marítimas utilizadas pela Rússia para manter as exportações energéticas, consideradas uma importante fonte de financiamento da guerra na Ucrânia.