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O número de vítimas mortais do maior ataque russo contra a Ucrânia dos últimos meses aumentou para 18, incluindo uma criança, anunciaram esta quarta-feira as autoridades ucranianas.
Segundo os balanços atualizados, 12 pessoas morreram na região de Dnipropetrovsk e outras seis em Kyiv, na sequência de uma vaga de bombardeamentos que atingiu várias cidades do país durante a noite de segunda-feira.
O governador da região de Dnipropetrovsk, Oleksandr Ganzha, revelou que uma das vítimas era uma criança, cujo corpo foi retirado dos escombros de um edifício residencial destruído pelos ataques.
Além dos mortos, dezenas de pessoas ficaram feridas em diferentes pontos do país, incluindo nas cidades de Kiev, Dnipro e Kharkiv, confirmou o Ministério do Interior ucraniano.
O ataque foi o primeiro de grande dimensão desde que Moscovo anunciou, no final de maio, o lançamento iminente de uma nova campanha aérea dirigida a centros de decisão do Governo ucraniano.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, os alvos da operação eram instalações do complexo militar-industrial da Ucrânia e infraestruturas consideradas críticas em Kiev e noutras seis regiões.
Já a força aérea ucraniana afirmou que a Rússia utilizou 73 mísseis de vários tipos, incluindo 33 mísseis balísticos, além de 656 drones de longo alcance, números que não foram confirmados por Moscovo.
Na segunda-feira, o Presidente russo, Vladimir Putin, declarou que a guerra entrou numa nova fase após um ataque ucraniano contra uma residência de estudantes em Lugansk, ocorrido a 22 de maio, que terá provocado 21 mortos, entre os quais menores.
Kharkiv amplia evacuações perante receio de ofensiva russa
Face à deterioração das condições de segurança, as autoridades ucranianas ordenaram a evacuação obrigatória de mais de 7.000 pessoas em sete localidades da região de Kharkiv, próxima da fronteira com a Rússia.
“Tendo em conta a situação de segurança e os ataques sistemáticos do inimigo, estamos a alargar a zona de evacuação obrigatória”, anunciou o governador regional, Oleg Synegobov.
A medida abrange mais de 1.700 crianças e surge num contexto de crescente pressão militar russa na região nordeste da Ucrânia.
Embora o principal esforço ofensivo de Moscovo continue concentrado noutras frentes, as forças russas mantêm posições ao longo da fronteira nas regiões de Kharkiv e Sumy, controlando várias faixas de território.
Ucrânia recupera terreno pelo segundo mês consecutivo
Apesar da intensificação dos bombardeamentos, um relatório divulgado pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indica que a Ucrânia recuperou 282 quilómetros quadrados de território durante o mês de maio.
Trata-se do segundo mês consecutivo de redução da área controlada pela Rússia, depois de em abril Moscovo ter registado a primeira perda territorial líquida em cerca de dois anos e meio.
Segundo o ISW, os avanços russos, que chegaram a atingir 579 quilómetros quadrados mensais no final de 2025, abrandaram significativamente, reduzindo-se para apenas 23 quilómetros quadrados em março deste ano.
Ainda assim, os analistas alertam que os ganhos ucranianos permanecem limitados. A recuperação territorial representa apenas 0,07% da área total da Ucrânia e cerca de 0,4% dos territórios atualmente ocupados pela Rússia.
O instituto norte-americano atribui parte desta evolução às campanhas ucranianas com drones de médio alcance, que terão dificultado a movimentação de tropas e equipamentos russos para as linhas da frente.
Os progressos ucranianos registaram-se sobretudo nas regiões de Donetsk e Zaporijia.
Zelensky volta a pedir mais sistemas Patriot
Perante o aumento dos ataques com mísseis balísticos e drones, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a apelar aos EUA para reforçarem o apoio militar ao país.
Kiev depende fortemente dos sistemas de defesa aérea Patriot para intercetar mísseis russos, mas enfrenta uma escassez crescente de munições.
Na sequência do ataque que provocou pelo menos 18 mortos, Zelensky alertou que a falta de proteção contra mísseis balísticos permitirá a continuação de ataques de grande escala contra cidades ucranianas.
O líder ucraniano pediu à administração norte-americana a criação de um programa estável de fornecimento de mísseis Patriot, defendendo que esse apoio é essencial para proteger a população civil e as infraestruturas estratégicas do país.