terça-feira, 18 ago. 2026

Ataque com drone contra tribunal no Sudão faz pelo menos 35 mortos. Grupo acusa exército de atingir civis

Grupo de defesa dos direitos humanos acusa o exército sudanês de ter levado a cabo o bombardeamento, que atingiu civis reunidos para assistir a audiências locais.
Ataque com drone contra tribunal no Sudão faz pelo menos 35 mortos. Grupo acusa exército de atingir civis

Pelo menos 35 pessoas morreram este domingo num ataque com um drone contra um tribunal comunitário na aldeia de Garra al-Zawaya, no estado do Darfur do Norte, no Sudão. A denúncia foi feita pelo grupo independente Emergency Lawyers, que acusa o exército sudanês de estar por detrás do bombardeamento.

Segundo a organização, o ataque ocorreu ao início da tarde, quando dezenas de civis se encontravam reunidos para assistir a audiências relacionadas com litígios locais.

Ataque atingiu tribunal durante audiências

O Emergency Lawyers refere que o drone atingiu o tribunal comunitário numa altura em que a população acompanhava a resolução de vários processos e conflitos locais.

Além das vítimas mortais, o edifício sofreu danos significativos. Os tribunais comunitários desempenham um papel importante na resolução de disputas entre comunidades e tribos da região.

Testemunhas relatam dezenas de vítimas

Uma testemunha, citada pela agência France-Presse e que pediu para não ser identificada por motivos de segurança, afirmou que entre os mortos estão quatro chefes tribais e dois comandantes das Forças de Apoio Rápido (FAR).

Enquanto o exército sudanês não reagiu às acusações, o governo autoproclamado das FAR condenou o ataque, classificando-o como um "crime horrível", e avançou um balanço ainda mais elevado, apontando para 37 mortos e cerca de 50 feridos.

Conflito continua a agravar crise humanitária

A guerra entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido começou em abril de 2023 e mergulhou o país numa das mais graves crises humanitárias da atualidade.

O conflito já provocou dezenas de milhares de mortos, forçou milhões de pessoas a abandonar as suas casas e desencadeou aquela que as Nações Unidas classificam como a mais grave crise de fome do mundo.

Na prática, o país encontra-se dividido. O exército controla o norte, o leste e parte do centro do Sudão, enquanto as FAR dominam grande parte da região de Darfur e algumas áreas do sul.

Drones tornam-se arma cada vez mais utilizada na guerra

A utilização de drones intensificou-se nos últimos meses e tornou-se uma das principais características do conflito.

Segundo as Nações Unidas, mais de mil civis morreram em ataques com drones apenas nos primeiros cinco meses deste ano.

Na semana passada, o comandante das FAR, Mohamed Hamdan Daglo, afirmou, numa mensagem em vídeo, que os seus combatentes podiam considerar-se "livres de qualquer limitação" na guerra contra o exército, depois da perda de uma importante ligação rodoviária.

ONU teme novas atrocidades no Sudão

As Nações Unidas têm alertado para o agravamento da situação no Sudão, sobretudo nas regiões de Darfur e Kordofan.

Após a tomada de El-Fasher pelas FAR, investigadores da ONU consideraram que a violência registada apresentava "as características de um genocídio".

Nos últimos dias, a organização voltou a emitir um "alerta vermelho" para El-Obeid, onde teme uma nova ofensiva terrestre e uma escalada da violência contra a população civil.