quinta-feira, 05 mar. 2026

Ataque ao Irão já causou pelo menos 51 mortos. Trump apela aos iranianos para "assumirem o governo"

EUA e Israel lançam "Operação Rugido do Leão" e "Fúria Épica" contra Teerão. 51 mortos em escola primária atingida. Irão retalia com mísseis contra oito países. Portugal acompanha "ao minuto"
Ataque ao Irão já causou pelo menos 51 mortos. Trump apela aos iranianos para "assumirem o governo"

O ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irão já provocou pelo menos 51 mortos. A ofensiva militar em larga escala, que começou esta madrugada, desencadeou uma resposta iraniana com mísseis e drones contra oito países da região, mergulhando o Médio Oriente numa espiral de violência sem precedentes.

A operação militar foi baptizada como "Rugido do Leão" por Israel e "Fúria Épica" pelos Estados Unidos, envolvendo bombardeamentos aéreos e marítimos contra dezenas de alvos em todo o território iraniano.

Trump: "Assumam o governo. Ele será vosso"

Num vídeo de oito minutos divulgado na rede Truth Social, o presidente norte-americano Donald Trump apelou directamente ao povo iraniano para derrubar o regime assim que a operação militar termine. "A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos. Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será vosso", declarou.

Trump prometeu aos membros da Guarda Revolucionária Islâmica "tratamento justo, com total imunidade" se depuserem as armas, mas advertiu para "morte certa" em caso de resistência.

O presidente norte-americano afirmou que a ofensiva tem como objetivo "devastar o aparato militar do Irã", eliminar seu programa nuclear e abrir caminho para uma mudança de governo em Teerão, justificando que o país persa "recusou um acordo que teria evitado a guerra".

Dezenas de alvos em várias cidades

Os ataques foram planeados há meses e visaram "dezenas de objectivos militares", anunciou o exército israelita, confirmando que a operação resultou de meses de coordenação entre as forças americanas e israelitas.

Foram ouvidas várias explosões em Teerão e em várias cidades do país, incluindo Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e Tabriz. De acordo com a agência de notícias Fars, "foram registados sete impactos de mísseis nos bairros de Keshvardoust e Pasteur" na capital iraniana, zona onde se situa a residência do líder supremo, Ali Khamenei.

O aiatola Ali Khamenei, de 86 anos, não é visto em público há dias desde que as tensões aumentaram, acreditando-se que tenha sido evacuado para um local seguro. O Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, "encontra-se em perfeitas condições de saúde", informaram várias agências iranianas, desmentindo rumores de que teria sido alvo dos ataques.

Irão retalia contra oito países

O Irão já começou a retaliar e atacou oito países, incluindo Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica lançou mísseis e drones contra bases norte-americanas no Bahrein, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, além de Israel.

O Centro Nacional de Comunicação do Bahrein confirmou que o centro de serviços da Quinta Frota da Marinha dos EUA foi "submetido a um ataque com mísseis". O Bahrein acolhe a Quinta Frota dos EUA, responsável pelas forças navais no Golfo Pérsico.

O Catar intercetou vários mísseis antes que chegassem ao seu território, enquanto foram ouvidas explosões em Doha. Os EAU declararam ter intercetado mísseis iranianos e a estação Al Jazeerah noticiou que pelo menos uma pessoa morreu na capital do país.

Em Israel, sirenes de ataque aéreo soaram em várias regiões, incluindo Jerusalém e Tel Aviv. Todos os telemóveis no país emitiram um alerta de "emergência extrema", instruindo os cidadãos a procurarem abrigos. Israel declarou estado de emergência por 48 horas e proibiu ajuntamentos públicos, fechando escolas.

Portugal e Europa pedem "contenção"

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse estar a acompanhar "ao minuto" os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel, em contacto permanente com a rede diplomática. "A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses", indicou o MNE.

Contactado pela agência Lusa, um porta-voz do ministério assegurou que o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, e o Gabinete de Emergência Consular estão, desde o início do dia, a contactar todos os embaixadores dos países da região.

Os presidente da Comissão Europeia e do Conselho Europeu expressaram "grande preocupação" e apelaram à "máxima contenção". Ursula von der Leyen e António Costa defenderam o "firme compromisso com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regionais".

O Presidente de França, Emmanuel Macron, pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, considerando que o início da guerra pode trazer "graves consequências" para a estabilidade internacional.

Técnico português nos Emirados: "Alguma ansiedade"

O técnico português João Mota, do Al Ittihad Sports Club dos Emirados Árabes Unidos, admitiu estar a acompanhar os ataques "com alguma ansiedade".

O treinador afirmou à agência Lusa que o Ministério de Segurança do país pediu às pessoas para se manterem calmas e para evitarem sair à rua. "Pensámos logo em ir embora, mas o espaço aéreo está fechado", revelou.

────────────────────────────────

Leia sem distrações! Navegue sem anúncios em todos os sites do Universo IOL e receba benefícios exclusivos!
TORNE-SE PREMIUM