Relacionados
O ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irão já provocou pelo menos 51 mortos. A ofensiva militar em larga escala, que começou esta madrugada, desencadeou uma resposta iraniana com mísseis e drones contra oito países da região, mergulhando o Médio Oriente numa espiral de violência sem precedentes.
A operação militar foi baptizada como "Rugido do Leão" por Israel e "Fúria Épica" pelos Estados Unidos, envolvendo bombardeamentos aéreos e marítimos contra dezenas de alvos em todo o território iraniano.
Trump: "Assumam o governo. Ele será vosso"
Num vídeo de oito minutos divulgado na rede Truth Social, o presidente norte-americano Donald Trump apelou directamente ao povo iraniano para derrubar o regime assim que a operação militar termine. "A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos. Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será vosso", declarou.
Trump prometeu aos membros da Guarda Revolucionária Islâmica "tratamento justo, com total imunidade" se depuserem as armas, mas advertiu para "morte certa" em caso de resistência.
O presidente norte-americano afirmou que a ofensiva tem como objetivo "devastar o aparato militar do Irã", eliminar seu programa nuclear e abrir caminho para uma mudança de governo em Teerão, justificando que o país persa "recusou um acordo que teria evitado a guerra".
Dezenas de alvos em várias cidades
Os ataques foram planeados há meses e visaram "dezenas de objectivos militares", anunciou o exército israelita, confirmando que a operação resultou de meses de coordenação entre as forças americanas e israelitas.
Foram ouvidas várias explosões em Teerão e em várias cidades do país, incluindo Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e Tabriz. De acordo com a agência de notícias Fars, "foram registados sete impactos de mísseis nos bairros de Keshvardoust e Pasteur" na capital iraniana, zona onde se situa a residência do líder supremo, Ali Khamenei.
O aiatola Ali Khamenei, de 86 anos, não é visto em público há dias desde que as tensões aumentaram, acreditando-se que tenha sido evacuado para um local seguro. O Presidente do Irão, Masud Pezeshkian, "encontra-se em perfeitas condições de saúde", informaram várias agências iranianas, desmentindo rumores de que teria sido alvo dos ataques.
Irão retalia contra oito países
O Irão já começou a retaliar e atacou oito países, incluindo Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica lançou mísseis e drones contra bases norte-americanas no Bahrein, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, além de Israel.
O Centro Nacional de Comunicação do Bahrein confirmou que o centro de serviços da Quinta Frota da Marinha dos EUA foi "submetido a um ataque com mísseis". O Bahrein acolhe a Quinta Frota dos EUA, responsável pelas forças navais no Golfo Pérsico.
O Catar intercetou vários mísseis antes que chegassem ao seu território, enquanto foram ouvidas explosões em Doha. Os EAU declararam ter intercetado mísseis iranianos e a estação Al Jazeerah noticiou que pelo menos uma pessoa morreu na capital do país.
Em Israel, sirenes de ataque aéreo soaram em várias regiões, incluindo Jerusalém e Tel Aviv. Todos os telemóveis no país emitiram um alerta de "emergência extrema", instruindo os cidadãos a procurarem abrigos. Israel declarou estado de emergência por 48 horas e proibiu ajuntamentos públicos, fechando escolas.
Portugal e Europa pedem "contenção"
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse estar a acompanhar "ao minuto" os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel, em contacto permanente com a rede diplomática. "A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses", indicou o MNE.
Contactado pela agência Lusa, um porta-voz do ministério assegurou que o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, e o Gabinete de Emergência Consular estão, desde o início do dia, a contactar todos os embaixadores dos países da região.
Os presidente da Comissão Europeia e do Conselho Europeu expressaram "grande preocupação" e apelaram à "máxima contenção". Ursula von der Leyen e António Costa defenderam o "firme compromisso com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regionais".
O Presidente de França, Emmanuel Macron, pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, considerando que o início da guerra pode trazer "graves consequências" para a estabilidade internacional.
Técnico português nos Emirados: "Alguma ansiedade"
O técnico português João Mota, do Al Ittihad Sports Club dos Emirados Árabes Unidos, admitiu estar a acompanhar os ataques "com alguma ansiedade".
O treinador afirmou à agência Lusa que o Ministério de Segurança do país pediu às pessoas para se manterem calmas e para evitarem sair à rua. "Pensámos logo em ir embora, mas o espaço aéreo está fechado", revelou.
────────────────────────────────