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Quatro astronautas estão neste momento numa cápsula em direção à lua, naquela que é uma "grande viagem da humanidade". Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen são os nomes pertencentes à missão Artemis II que se propõe a voar até à lua pela primeira vez nos últimos 50 anos.
O que é a missão Artemis II?
O administrador da NASA, Jared Isaacman, explicou antes do lançamento que a Artemis II é o "ato de abertura". Os quatro astronautas não vão tocar na lua: essa será uma outra equipa que irá compor a missão Artemis IV, lançada na primeira metade de 2028.
Isaacman explicou que este "voo teste" vai servir para determinar se todos os sistemas estão efetivamente aptos para missões mais ambiciosas do programa espacial norte-americano.
Antes da descolagem
Como todas as grandes missões, os contratempos fazem parte. Temeu-se que a missão tivesse de ser adiada devido a "problemas de última hora". Cerca de uma hora antes da hora prevista, foi detetado um problema de comunicação entre a estação terrestre e o Sistema de Terminação de Voo: este é um dos principais sistema de segurança do foguetão que, em caso de falha grave, é acionado para o destruir no ar, evitando riscos para a população.
Tudo foi resolvido a tempo, e a luz verde para a missão iniciar voltou a estar segura (por pouco tempo).
O sistema que permite abortar o lançamento e ejetar a tripulação caso necessário também não estava a 100%. Uma das baterias do sistema estaria com a temperatura fora do normal, o que poderia adiar o início da missão. Nos 10 minutos antes do lançamento, os engenheiros da NASA detetaram a origem do problema e resolveram-no.
A missão estava finalmente pronta a iniciar.
O relógio (ver galeria) esteve parado a aguardar as confirmações necessárias. Na contagem final de 10 minutos, a tripulação deixou ainda algumas mensagens. “Vamos, pelas nossas famílias”, afirmou o piloto Victor Glover. “Vamos, pelos nossos colegas de equipa”, disse a especialista de missão Christina Koch. "Vamos, pela humanidade”, terminou Jeremy Hansen.
“Reid, Victor, Christina e Jeremy, nesta missão histórica, levam convosco o coração desta equipa Artemis, o espírito ousado do povo americano e dos nossos parceiros em todo o mundo, bem como as esperanças e os sonhos de uma nova geração. Boa sorte, boa viagem, Artemis II. Vamos lá”, transmitiu-lhes Charlie Blackwell-Thompson, diretora de lançamento do Programa de Sistemas Terrestres de Exploração da NASA.
A descolagem
Na passada quarta-feira, dia 1 de abril, por volta das 23h45 em Lisboa, 16h45 no Kennedy Space Center, na Flórida, o "foguetão mais poderoso de sempre" preparava-se para descolar. A cápsula Orion, à boleia do Space Launch System (SLS), foi vista por milhares de pessoas a iniciar a missão de dez dias numa nova era espacial, de acordo com a NASA.
“Vemos um lindo nascer da Lua e vamos ter com ela”, disse o comandante Reid Wiseman, poucos minutos após terem levantado voo. “Depois de uma breve interrupção de 54 anos, a NASA está de volta”, declarou o administrador, Jared Isaacman.
Os quatro vão juntos ser os humanos que viajaram mais longe da Terra e os que vão passar mais perto da superfície lunar desde 1972, aquando da missão Apollo 17.
Como estão os astronautas?
O responsável pelo departamento de Operações de Voo da NASA, Norm Knight, explicou que o mais provável é os quatro astronautas não terem "vontade de comer" nos primeiros dias. “O dia de subida é muito duro, tanto fisiologicamente, como em termos de carga de trabalho”. Além do "elevado ritmo", também a transição de um ambiente com gravidade para aquele em que vão estar nos próximos 10 dias, de microgravidade, necessitará de uma fase de adaptação.
“Os astronautas estão bem, em segurança e muito animados”, revelou Jared Isaacman, o administrador da NASA.
Como serão os próximos 10 dias?
Tal como explicou Norm Knight, os primeiros dois dias são os mais trabalhosos. São os dias de "teste" de vários sistemas no interior da cápsula, inclusive o dispensador de água potável e a sanita.
São também os dias de ganho de controlo da Orion após a separação do módulo superior do foguetão. A tripulação começa a preparar a cápsula para se tornar na sua "casa" nos próximos dias.
Após cerca de oito horas e meia de viagem, de acordo com o site da NASA que tem acompanhado toda a missão, a equipa poderá finalmente descansar: mas por pouco tempo. A tripulação terá de acordar quatro horas depois para reajustar a trajetória da nave. Nesta altura, vão ainda testar o sistema de comunicação de emergência no ponto mais afastado da órbita terrestre. Depois, podem voltar a dormir mais quatro horas e meia.
No segundo dia, vão testar o "flywheel". Será como um ginásio que a equipa pode utilizar para garantir que exercita os músculos naqueles 10 dias e que chega à Terra sem dificuldades.
Também neste dia fazem os últimos preparativos para aceleração até à Lua e fazem uma videochamada com a equipa na Terra.
Os dias seguintes serão menos intensos, com apenas correções de trajetória, com teste de equipamentos, além de momentos para captar corpos celestes. Nos dias mais à frente, vão testar a pressurização dos fatos espaciais com que iniciaram a missão, além de outras funcionalidades destes que devem ser usado em caso de emergência.
No sexto dia vão passar a cerca de 6.500 quilómetros da superfície lunar e perdem oficialmente quaisquer comunicações com a Terra.
O descanso chega ao sétimo dia, destinado exclusivamente à preparação para a viagem de volta à Terra.
No oitavo dia, vão testar capacidades de proteção da cápsula Orion e no dia seguinte, o último completo no Espaço, vão estudar o protocolo de reentrada na atmosfera terrestre.
Finalmente, no décimo e último dia há apenas um objetivo: chegar a casa.
Ao regressarem à Terra daqui a 10 dias, Reid, Victor, Christina e Jeremy não trazem apenas dados recolhidos durante a missão, mas também a esperança e ambição de um programa espacial que vai "impulsionar a humanidade".