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A plataforma Polymarket está no centro das desconfianças de especialistas após terem surgido várias contas a fazer apostas sobre um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão até ao dia 31 de março. Segundo os peritos, há suspeitas de informação privilegiada.
Os números foram divulgados pelo jornal britânico The Guardian, que revela que oito contas, todas criadas já no final de março, apostaram um total de 70 mil dólares (mais de 60 mil euros) em como iria acontecer um cessar-fogo em breve. Os utilizadores podem lucrar quase 820 mil dólares (mais de 700 mil euros) se o acordo se confirmar.
As suspeitas de inside trading (ou seja, conhecimento interno) nesta plataforma não são novas: uma das contas que fez a aposta sobre o cessar-fogo terá feito uma outra aposta sobre o ataque dos EUA ao Irão ainda antes do dia 28 de fevereiro, dia do início da Operação "Fúria Épica". Essa conta não apostou em mais nada sem ser nestas duas ocasiões, de acordo com o jornal britânico.
Outro aspeto que os especialistas apontam para corroborar as suspeitas revela que todas as contas foram criadas no final da última semana, precisamente quando Donald Trump reforçou a ideia de que as operações militares estariam a ser reduzidas no Irão.
“Normalmente, quando se vê uma divisão de carteiras e tentativas deliberadas de ocultar identidade, ou é um investidor muito grande a tentar proteger a sua posição do impacto no mercado, ou é insider trading”, explicou Ben Yorke, antigo investigador no CoinTelegraph, citado pelo The Guardian.
Com isto, a própria avaliação da plataforma sobre a probabilidade de um cessar-fogo antes do dia 31 de março aumentou de 6% a 21 de março para 24% na última segunda-feira. O conjunto de apostas neste acordo ronda os 21 milhões de dólares (mais de 19 milhões de euros).
A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão online baseada em criptomoedas. Os utilizadores apostam no resultado de eventos futuros, como eleições ou competições desportivas, com contas anónimas de difícil rastreamento.
As suspeitas de informação privilegiada têm surgido nestas plataformas após uma aposta intensa em prever contextos de conflitos e guerra, sugerindo que pessoas podem estar a usar conhecimentos para lucrar com informação confidencial. Posto isto, a Polymarket, cujos investidores incluem uma empresa de capital de risco de Donald Trump Jr., filho do líder norte-americano, tem enfrentado duras críticas.